Com a chegada do período mais seco em diversas regiões e a retomada das aulas, aumentam os casos de doenças respiratórias, alergias e outros problemas de saúde sazonais, principalmente entre crianças. O alerta foi feito pela médica pediatra e professora da UFRN, Ana Luíza Braga.
A especialista orientou sobre prevenção, identificação de sinais de gravidade e cuidados para evitar a transmissão das doenças. Segundo a pediatra, as doenças respiratórias são as mais frequentes nesta época do ano, embora as férias escolares tenham contribuído para uma redução temporária dos casos.

“A gente está enfrentando muita doença respiratória nessa época. Com as férias e as crianças ficando um pouco mais em casa, não estando tão juntas, o número dessas doenças vem diminuindo. Mas a gente precisa sempre estar atento aos quadros gripais.”
Ela explicou que as chamadas síndromes gripais costumam se manifestar por sintomas conhecidos pelas famílias.
“São aquelas crianças que estão com coriza, que estão com febre, com dor de garganta, com uma dorzinha no corpo. Essas doenças de vírus, vamos dizer assim, que não precisa saber especificamente o nome do vírus, mas precisa estar atento aos sinais de alarme para poder procurar o pronto atendimento.”
Com o retorno às salas de aula, Ana Luíza Braga ressaltou que a prevenção deve ser reforçada, especialmente por causa da maior convivência entre as crianças.
“É muito importante a gente ter esse cuidado e manter as medidas de prevenção. Principalmente a vacinação, então nas férias é o melhor momento para colocar as vacinas em dia.”
Ela também orientou que sejam mantidas medidas como lavagem das mãos, higiene nasal e evitar que crianças doentes frequentem a escola. A médica reforçou que adultos e crianças com sintomas respiratórios também devem adotar medidas para proteger os menores, principalmente os bebês.
“Sempre que estiver doente, não tenha contato com crianças, principalmente crianças muito pequenas, abaixo de 3 meses. Se esse contato for inevitável, que seja através do uso de máscara. As máscaras ainda são muito importantes no bloqueio do contágio e a gente sempre fala para as crianças que puderem, ou os adultos que estiverem doentes e forem ter contato com as crianças, usarem a máscara.”
A pediatra explicou que nem toda criança com febre ou tosse precisa ser levada imediatamente ao pronto-atendimento. Segundo ela, os responsáveis devem observar sinais que indicam agravamento do quadro. Ela detalhou os principais sinais que exigem avaliação médica.
“Eu sempre falo que tem quatro características principais. A hidratação, se a criança não está conseguindo beber, não está conseguindo fazer xixi de forma adequada. A respiração, aquelas crianças que estão respirando de forma muito ofegante, muito cansadinhas, que você consegue ver as costelinhas ali, movimentos nas costelas. A questão da evolução, aquela criança que só está piorando, não vem melhorando. São formas que os pais podem ver, prestar atenção e, principalmente, analisar o comportamento da criança. A criança está ficando mais caidinha, não está querendo brincar, fica mais sonolenta. Essas são as crianças que realmente precisam ser levadas ao pronto-atendimento.”
Ana Luíza Braga também chamou atenção para crianças com doenças alérgicas, como rinite e asma, que costumam apresentar piora durante os períodos de clima seco e frio, porque a mucosa, tecido que reveste as narinas e a garganta, fica mais ressecada.
Ela orientou que o ambiente doméstico deve receber atenção especial.
“Um ambiente que tem muito mofo, que tem muita poeira, que fica sem ventilação, fechado, abafado, acaba gerando mais propensão dessa criança desenvolver novas crises de alergia. A gente tem que cuidar do ambiente.”
Nos casos em que a criança apresenta sintomas de doença, o contato com bebês deve ser evitado.
“Sempre que ele estiver doente é importante evitar esse contato muito próximo, porque se um bebê de 2 meses pega uma virose, que para o irmão não significa praticamente nada, para ele pode ser bem grave, porque o sistema de imunidade, o sistema de defesa, ainda não está desenvolvido.”
Sobre o uso de bombinhas em crianças que apresentam falta de ar durante episódios gripais, a pediatra orientou que a conduta deve ser definida por um profissional de saúde.
“O ideal é que você procure a Unidade Básica de Saúde, para que o médico de família possa orientar em que momentos você vai usar a bombinha e avaliar se, na realidade, o seu filho não precisa de um tratamento de manutenção.”