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Ciência

RN encerra edição histórica da Conferência Internacional de Física de Altas Energias

Pela primeira vez em seus mais de 70 anos de história, a Conferência Internacional sobre Física de Altas Energias (ICHEP) foi realizada na América Latina
Redação
08/08/2026 | 08:00

A 43ª edição do principal encontro encerrou sua programação em Natal após reunir mais de 1.000 pesquisadores de universidades e centros de pesquisa de mais de 50 países, promovendo 863 palestras, 49 sessões plenárias e 173 apresentações de pôsteres ao longo de seis dias de intensa atividade científica.

A Física de Partículas é a área da ciência que investiga os componentes mais básicos da matéria e as forças fundamentais da natureza, e busca entender do que o universo é feito, como as partículas elementares interagem e como o cosmos evoluiu desde os primeiros instantes após o Big Bang.

ICHEP 2026 PLENARIA FOTO PEDROGARCIA
RN encerra edição histórica da Conferência Internacional de Física de Altas Energias - Foto: Pedro Garcia

A ICHEP é realizada a cada dois anos desde 1950 e constitui o principal fórum internacional para a apresentação dos avanços científicos mais recentes na área, além de promover colaborações internacionais e discutir os rumos futuros da pesquisa em física fundamental. No Brasil, a edição contou com a organização da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP) e da Sociedade Brasileira de Física (SBF).

A Importância da Conferência no Brasil

Mais do que um congresso científico, a ICHEP é um dos principais espaços internacionais onde são iniciadas novas colaborações entre universidades e centros de pesquisa, formadas redes de cooperação, treinados estudantes e jovens pesquisadores e discutidos os grandes experimentos e infraestruturas científicas que orientarão a Física de Partículas nas próximas décadas. É nesse ambiente que muitos projetos internacionais ganham forma, parcerias são estabelecidas e decisões estratégicas sobre o futuro da pesquisa fundamental começam a ser construídas.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que participou da cerimônia de abertura, ressaltou o impacto da realização da conferência para a atração de talentos e estímulo ao conhecimento.

“Na ICHEP nós estamos tratando de física de altas energias, que, associado a uma presença, por exemplo, de um diretor-presidente da maior infraestrutura de pesquisa do mundo, que é o CERN, que fica entre a Suíça e a França. Isso atrai talentos, atrai curiosidade, estimula o conhecimento e, portanto, reverbera de maneira muito significativa daquilo que é o principal patrimônio de qualquer povo, de qualquer gente: o conhecimento”, declarou Santos.

A governadora do estado, a professora Fátima Bezerra, destacou a honra do estado nordestino em receber um evento do porte da 43° edição da ICHEP.
“É uma honra para o Rio Grande do Norte sediar esta conferência internacional. Esta é a primeira vez que a ICHEP é realizada na América Latina, e ela está acontecendo aqui no Nordeste do Brasil, em Natal, Rio Grande do Norte”

ICHEP 2026 foi marco para a Ciência brasileira

A edição de 2026 ocorreu em um momento particularmente importante para a ciência brasileira, marcado pelo avanço do acordo entre Brasil e CERN, resultado de um esforço da comunidade científica que se estendeu por mais de uma década.

Desde que o Brasil se tornou Estado-Membro Associado do CERN, em 2024, empresas brasileiras passaram a disputar contratos para fornecer equipamentos e serviços de alta tecnologia ao laboratório europeu, enquanto pesquisadores, engenheiros, estudantes e outros profissionais passaram a ter acesso ampliado a programas de formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

A ICHEP 2026 também abriu espaço para discussões sobre diversidade e inclusão na ciência, tema que ganhou destaque em uma das sessões da conferência. A professora Flávia de Almeida Dias, pesquisadora da Universidade de Amsterdã e do Instituto Nacional Holandês de Física Subatômica, apresentou propostas para ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados na Física de Partículas.

“A minha apresentação foi sobre como a gente pode fazer o nosso campo de física de partículas ser mais inclusivo para as pessoas que são historicamente menos representadas no nosso campo”, afirmou a pesquisadora. Segundo ela, ainda há uma baixa representatividade de mulheres e de pessoas oriundas de contextos socioeconômicos menos favorecidos na área. “A ideia é que a gente possa fazer com que o nosso campo de pesquisa seja acolhedor para essas pessoas”, completou.

Além de ampliar a participação de pesquisadores latino-americanos, a conferência fortaleceu a inserção internacional da Física de Partículas brasileira, estimulou novas parcerias científicas e consolidou o país como anfitrião de grandes eventos científicos globais. Para a comunidade científica, o encontro representa um passo importante para ampliar a participação do Brasil em experimentos internacionais, formar novas gerações de pesquisadores e fortalecer a cooperação com o CERN e outras instituições de referência mundial.

Para o co-chair da ICHEP 2026, Dr. Rogério Rosenfeld, a conferência na América Latina reforça a relevância da comunidade científica da região e reflete o fortalecimento da cooperação entre os países latino-americanos, que ampliou a visibilidade internacional da pesquisa local.

“A realização da ICHEP pela primeira vez em um país da América Latina é uma oportunidade para mostrar a importância da nossa comunidade na área de Física de Altas Energias, Cosmologia e Astropartículas. Além do que, representa uma oportunidade para mostrar a importância da nossa comunidade científica. O fortalecimento da cooperação regional nos últimos anos contribuiu para ampliar a visibilidade da pesquisa desenvolvida na América Latina e ajudou a trazer a ICHEP para o Brasil”, ressaltou Rosenfeld.

A próxima edição da conferência acontecerá em 2028 na cidade de Bangcoc, Tailândia, na Universidade Chulalongkorn, a instituição de ensino superior mais antiga e prestigiada do país.