Com casos de intoxicação por ciguatera registrados no Rio Grande do Norte, a Semana do Pescado reforçou neste ano a orientação ao consumidor. A campanha, que vai de 1º a 15 de setembro, continua estimulando o consumo de peixes e frutos do mar, mas agora vem acompanhada de um alerta: é preciso conferir a procedência do produto e deixar de comprar, por enquanto, as espécies ligadas às ocorrências.
A ação é uma parceria do Sebrae-RN com o Governo do Estado e o Ministério da Pesca e Aquicultura. Na quarta-feira 9 e na quinta-feira 10, a campanha passou pelo Rede Mais Select, na Zona Sul de Natal; na sexta-feira 11 e no sábado 12, foi a vez do Nordestão de Lagoa Nova. Nos dois lugares, as equipes conversaram diretamente com os consumidores e passaram a eles as informações sobre o pescado.

O objetivo é manter as vendas e, junto com isso, reduzir riscos à saúde que acabam atingindo pescadores, comerciantes, restaurantes e os outros negócios da cadeia produtiva — o conjunto de atividades que leva o produto do mar até a mesa e que envolve peixes, camarões, polvos, ostras e demais frutos do mar.
“O pescado continua sendo um alimento importante para a população e para a economia do Estado. O que queremos é incentivar esse consumo de forma consciente, com atenção à procedência e às orientações dos órgãos responsáveis, sem deixar de valorizar toda a cadeia produtiva”, diz o gestor de Aquicultura e Pescado do Sebrae-RN, Marcelo Medeiros.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixe contaminado pela ciguatoxina, uma substância produzida por microrganismos que vivem sobretudo em áreas de recife. O consumidor não tem como perceber o perigo olhando o produto: o peixe contaminado não muda de cor, de cheiro nem de sabor.
Também não adianta cozinhar, congelar ou salgar, porque nenhum desses processos elimina a toxina. É por isso que as recomendações se concentram na procedência — saber de onde vem o pescado e quem o vende — e em seguir as orientações das autoridades sanitárias.
“A orientação não é deixar de consumir peixe, mas fazer escolhas mais conscientes neste período. É importante observar a procedência, seguir as recomendações oficiais e evitar temporariamente as espécies associadas aos casos de ciguatera”, afirma a engenheira de Aquicultura Thais Gurgel.
Enquanto houver registros, a recomendação é não consumir barracuda, arabaiana, bicuda, cioba, dourado, galo-do-alto, pargo-preto, robalo, pescada-branca e sirigado, também chamado de badejo. A lista reúne as espécies relacionadas às ocorrências sob investigação e não quer dizer que todo peixe vendido no Estado seja perigoso.
Ao incluir o cuidado com a segurança alimentar entre as atividades, a campanha tentou evitar prejuízo ao comércio sem provocar uma suspensão geral do consumo. A orientação é dar preferência a estabelecimentos e fornecedores conhecidos, checar a origem do produto e acompanhar os avisos dos órgãos encarregados da vigilância dos alimentos. Quem divulgou as informações sobre a campanha foi a Agência Sebrae de Notícias do Rio Grande do Norte.