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Saúde óssea

Mais de cinco xícaras de café por dia aparecem ligadas a osso mais frágil depois dos 65 anos

Estudo que acompanhou 10 mil mulheres por uma década não achou prejuízo em quem tomava duas ou três xícaras; entre consumidoras de chá, o efeito foi oposto
Agora RN
11/09/2026 | 20:20

Café pode caber numa rotina saudável, mas a quantidade parece fazer diferença — e mais ainda para quem já passou dos 65 anos. Um estudo que seguiu cerca de 10 mil mulheres por uma década encontrou densidade óssea menor entre as que tomavam mais de cinco xícaras por dia.

As participantes faziam parte do Estudo de Fraturas Osteoporóticas. Durante o acompanhamento, os pesquisadores registraram quanto de café e de chá cada uma tomava e mediram a densidade mineral óssea média em duas áreas: o quadril e o colo do fêmur, ponto em que o osso da coxa se encaixa no quadril. Densidade mineral óssea é a quantidade de minerais, sobretudo cálcio, que o osso guarda: quanto menor, mais frágil ele fica.

Xícara branca com café preto sobre pires, numa mesa de madeira clara
Consumo superior a cinco xícaras de café por dia é prejudicial — José Aldenir

Consumo moderado não apareceu associado ao mesmo problema. Quem bebia de duas a três xícaras por dia não teve prejuízo identificado na saúde dos ossos. A perda de densidade surgiu entre as mulheres que passavam das cinco xícaras diárias.

A soma com álcool chamou atenção dos pesquisadores. As participantes que consumiam mais as duas bebidas tiveram resultados piores para os ossos, sinal de que outros hábitos precisam entrar na conta quando se avalia a relação entre o que se bebe e a saúde óssea.

Com o chá, o comportamento foi outro. As consumidoras frequentes apresentaram indicadores favoráveis, associação que apareceu principalmente entre mulheres com obesidade.

Uma das hipóteses para explicar isso está nas catequinas, compostos presentes no chá que vêm sendo estudados por uma possível participação nos processos ligados à formação do osso e à redução da fragilidade dele.

Publicada em 2025 na revista científica Nutrients, a pesquisa encontrou diferenças que os próprios autores consideram modestas. Ainda assim, eles ponderam que alterações pequenas podem pesar quando se acumulam ao longo dos anos, ainda mais numa população que já é mais sujeita a fratura e a perda de massa óssea.

O estudo também não manda ninguém cortar o café. Estudos anteriores associam o consumo regular da bebida a diferentes benefícios, e a própria pesquisa não achou prejuízo entre as mulheres que ficavam nas duas ou três xícaras diárias.

Do mesmo modo, o que se observou sobre o chá não autoriza a conclusão de que aumentar muito o consumo dele seja um jeito de proteger os ossos. O estudo aponta associações; não transforma bebida nenhuma em solução nem em vilã.

O recado principal está na quantidade e no conjunto dos hábitos. Para as mulheres com mais de 65 anos, o café tomado com moderação apresentou um quadro diferente daquele observado entre as participantes que passavam de cinco xícaras diárias. Na hora de preservar o osso durante o envelhecimento, o equilíbrio segue valendo como medida.