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Teatro

Ânima leva ao Teatro Alberto Maranhão as histórias de seis mulheres separadas por séculos

Espetáculo com texto da filósofa Lúcia Helena Galvão e atuação de Beth Zalcman faz sessão única no domingo 13, às 19h, depois de passar por seis capitais
Agora RN
11/09/2026 | 20:19

Seis mulheres que viveram em séculos, lugares e circunstâncias diferentes dividem o mesmo palco em Natal no domingo 13. Depois de passar por Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, o espetáculo Ânima chega ao Teatro Alberto Maranhão, na Ribeira, para uma apresentação única, às 19h.

A montagem é o terceiro texto escrito para teatro pela filósofa Lúcia Helena Galvão e retoma a parceria dela com o diretor Luiz Antônio Rocha e a atriz Beth Zalcman. Os três já haviam trabalhado juntos em “Helena Blavatsky, a voz do silêncio”, peça que foi vista por cerca de 70 mil pessoas e deu à atriz o Prêmio Cenym de Melhor Atriz, em 2023.

Atriz de vestido longo bege, sentada no chão de madeira de um palco com fundo verde e cordas coloridas suspensas
Beth Zalcman em cena no espetáculo Ânima — Jow Coutinho

O ponto de partida de Ânima foi uma frase de outra filósofa, Delia Steinberg Guzmán: “Desde sempre e para sempre toda mulher tem parentesco com a primeira estrela brilhante que levou luz ao azul profundo do céu”. Desse verso saiu uma narrativa em torno de mulheres marcadas pela perseguição, pela escravidão, pela intolerância e pelos limites que a própria época lhes impunha.

Quem costura tudo é uma tecelã. Em cena, ela procura a própria ancestralidade feminina e, nesse caminho, junta as trajetórias de Simone Weil, Joana d’Arc, Helena Blavatsky, Harriet Tubman, Hipátia de Alexandria e Marguerite Porete. A encenação joga a tradição oral e o gesto de tecer contra o uso de recursos tecnológicos, drones incluídos.

“Quando Lúcia me entregou o texto ÂNIMA, ela me disse: nele estão seis mulheres que marcaram a minha vida. Fiquei curiosa, emocionada, ansiosa, e na primeira leitura compreendi que eu viveria uma experiência profunda e bela. Mulheres distintas vindas de tempos e espaços distantes, mas conectadas pelo desejo de fazer a vida valer a pena para todos. Para descobri-las tive que mais uma vez mergulhar no meu silêncio, como aprendi com Blavatsky”, conta Beth Zalcman.

A travessia começa por Simone Weil, filósofa francesa cuja obra passou por questões filosóficas, políticas, sociais e espirituais. Na sequência, a peça encontra Joana d’Arc, também francesa, condenada à fogueira e canonizada tempos depois pela Igreja Católica.

“Em comum entre nós somente essas estreitas cordas tão visíveis em mim, lacerando-me a pele, e as que trazeis dentro de vós sutis ocultas, mas que vos laceram a alma com muito maior intensidade”, diz um dos trechos.

Helena Blavatsky reaparece no caminho da atriz. Escritora e uma das fundadoras da Sociedade Teosófica, corrente que reúne filosofia, religião e ciência na busca por um conhecimento comum às tradições, ela enfrentou críticas e polêmicas no tempo dela — e já tinha sido o centro do espetáculo que a atriz levou antes ao palco ao lado de Luiz Antônio Rocha e Lúcia Helena Galvão.

Harriet Tubman é outra história que sobe ao palco. Nascida escravizada nos Estados Unidos, ela fugiu e depois passou a ajudar outros escravizados a chegar à liberdade, atuação que a tornou uma das figuras ligadas ao abolicionismo americano.

A peça recupera ainda Marguerite Porete, pensadora e mística medieval, autora de “O Espelho das Almas Simples”, livro que motivou o processo no fim do qual ela foi condenada à fogueira.

“… compreenda aquele que me ouve que eu já não sou a mística que honra o bem, eu sou o próprio bem… e levo para a fogueira as minhas convicções… pois compreendo profundamente que amar é servir…”, diz outro trecho.

Fecha a travessia Hipátia de Alexandria — matemática, astrônoma e filósofa da Antiguidade —, cuja história ficou marcada pelo trabalho intelectual e pela morte em meio a conflitos religiosos e políticos na cidade.

Reunir essas histórias põe Beth Zalcman diante do desafio de atravessar personalidades e épocas distintas sem largar a figura da tecelã, que amarra a narrativa inteira. Cada personagem funciona como peça de uma investigação sobre a memória, a ancestralidade e a experiência das mulheres.

“ÂNIMA é uma peça que fala da alma feminina. Beth é uma atriz extraordinária que mergulha e responde às propostas com muita rapidez. O texto da Lúcia vem imbuído de provocações e possibilidades. Me sinto um diretor de alma feminina, trabalhando com duas supermulheres, festejando minha terceira parceria com Beth e Lúcia”, afirma Luiz Antônio Rocha.

Em Natal, a viagem de séculos cabe em 75 minutos de palco. O Teatro Alberto Maranhão fica na Praça Augusto Severo, sem número, na Ribeira. A classificação indicativa é de 12 anos, e os telefones para informações são (84) 3222-3669 e (84) 3611-1942.