Teatro de bonecos, dança e mágica de graça, apresentados longe das grandes salas de espetáculo: é essa a proposta de um circuito de artes cênicas que desde agosto roda o interior do Rio Grande do Norte levando os espetáculos para mais perto das comunidades, e agora entra na reta final. Batizado de “Circulação Trapiá – Circuito de Apresentações de Artes Cênicas”, o projeto passa por Brejinho, no Agreste potiguar, na sexta-feira 18, e se despede em Natal no sábado 19, depois de percorrer seis municípios.
A turnê começou por Caraúbas e Messias Targino, no Oeste potiguar, as duas primeiras paradas, e nos dias 5 e 6 de setembro esteve em Sítio Novo e em Santa Maria, cidades que também ficam no Agreste. A programação reúne três atrações: o Jurema Coletivo de Dança, o ilusionista conhecido como Capitão Jack e a Trapiá Cia Teatral.

Cada uma delas leva ao público uma linguagem diferente. A companhia de teatro apresenta “As Pelejas de Baltazar”, espetáculo de bonecos — gênero em que os atores dão vida a figuras manipuladas em cena — construído a partir das aventuras e das situações vividas pelo personagem que batiza a montagem. O mágico entra em cena com “A Mágica é Arte que faz Encantar”. E o coletivo de dança leva ao palco “Sinais”.
A combinação de bonecos, mágica e dança numa mesma programação ajuda a atrair plateias variadas. Adultos e crianças saem do universo dos bonecos, passam pelos truques de ilusionismo e terminam diante de um espetáculo em que é o corpo que conta a história.
O circuito não se limita a transportar peças prontas de um lugar para outro. A aposta é usar a circulação dos artistas como ferramenta para ampliar o acesso à cultura, e a gratuidade de todas as sessões derruba um dos obstáculos que costumam manter parte da população longe desse tipo de atividade.
A iniciativa também se propõe a valorizar a cultura popular, os saberes e a memória cultural das comunidades. Ao passar por municípios diferentes, as apresentações tentam aproximar a população de linguagens artísticas que raramente fazem parte da agenda cultural regular das cidades do interior. A itinerância faz de cada parada um palco novo, com uma plateia que muda de uma cidade para a outra.
Quem realiza o projeto é a Associação Cultural Trapiá, por meio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), órgão federal de fomento às artes, e do Ministério da Cultura. O circuito conta com o apoio das prefeituras dos cinco municípios do interior que recebem as sessões — Brejinho, Caraúbas, Messias Targino, Santa Maria e Sítio Novo — e também da Associação Cultural do Bom Pastor, de Natal.
Com entrada franca e uma grade que alterna linguagens sem perder o caráter popular, o Circulação Trapiá fecha o percurso na capital depois de rodar o interior. Antes, porém, ainda passa por Brejinho, mais uma cidade onde bonecos, movimento e mágica montam um palco provisório para receber o público.