A aposentadoria de Elton John abriu uma exceção, e ela foi brasileira. Aos 79 anos de idade, e três depois de encerrar a turnê com que se despediu dos palcos, o britânico voltou ao gesto que repete há mais de meio século: sentar-se ao piano, vestir alguma coisa impossível de ignorar e converter uma multidão inteira em coro particular. Na segunda-feira, dia 7 de setembro, a multidão em questão foi a do Rock in Rio.
Subiu ao Palco Mundo para um show com jeito de reencontro e, ao mesmo tempo, de dívida afetiva finalmente quitada. Quando rodou o mundo com a Farewell Yellow Brick Road, o Brasil ficou de fora do itinerário. E ele não esqueceu disso.

“Eu vou ao Rio para tocar no Rock in Rio porque não passei pelo país na turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’ e senti que decepcionei muitos fãs brasileiros. Quero compensar isso”, disse ao aceitar, no começo deste ano, o convite do festival.
A compensação prometida levou mais de duas horas de show para ser cumprida. Vestindo paletó amarelo sobre camisa azul, ele atravessou momentos diversos de uma discografia erguida ao longo de décadas, e no repertório sobrou pouco espaço para economizar clássico. Entre as canções entregues ao público carioca estavam Rocket Man, Tiny Dancer, Candle in the Wind e Goodbye Yellow Brick Road.
O que se viu ali foi a aparição excepcional de um artista que resolveu deixar para trás a rotina das grandes turnês, mas em nenhum momento a música. A Farewell Yellow Brick Road terminou em 2023 e havia sido concebida como adeus à estrada, depois de décadas de vida em trânsito, de uma cidade para outra. O Rock in Rio, então, não desfez aposentadoria nenhuma: foi uma pausa calculada dentro dela, motivada — pelas palavras do próprio Elton — pela sensação de que faltava se despedir dos brasileiros.
A resposta do público, aliás, não ficou restrita a quem estava lá no festival. Passado mais ou menos um dia do show, o nome de Elton John bateu um novo pico de interesse no Google Trends, conforme levantamento da CNN Brasil. Os dados mensais da plataforma ainda estavam incompletos, mas o gráfico já registrava, naquele instante, o maior volume de procura pelo nome do artista em todo o intervalo analisado.
E a curiosidade das pessoas foi bem além do que tinha acontecido no palco. Entre os assuntos ligados a ele que os internautas procuraram estavam a apresentação no festival, o patrimônio do artista e algumas das músicas mais conhecidas da obra dele. Três apareceram com destaque nas pesquisas: Rocket Man, Sacrifice e Your Song.
É um desfecho curiosamente contemporâneo para uma carreira que começou muito antes de busca on-line, rede social ou plataforma de streaming definirem como o público descobre — e redescobre — um artista. Bastou uma única noite de festival para pôr Elton John de novo diante de gente que queria saber não apenas o que ele tinha cantado ali, mas também quanto vale a fortuna dele e quais músicas valeria a pena ouvir.
Para quem já sabia cada verso de cor, o show ofereceu outra coisa: a chance de rever no palco alguém que já havia se despedido oficialmente das grandes turnês. E, para a molecada, o festival funcionou como porta de entrada num repertório que atravessou décadas sem jamais sumir da cultura popular.