Uma nova tecnologia para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 começou a ser desenvolvida como alternativa às aplicações frequentes de medicamentos à base de semaglutida. Batizado de NPM-139, o dispositivo consiste em um implante subdérmico experimental criado pela empresa norte-americana de biotecnologia Vivani Medical, com capacidade de liberar o medicamento de forma contínua durante vários meses.
O projeto será avaliado pela Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, por meio de um acordo anunciado na última semana. Ainda em 2026, a Vivani iniciará um estudo clínico de Fase 1 para comparar a eficácia do implante com o Wegovy no tratamento da obesidade. Nesta etapa, serão avaliadas a segurança e a resposta inicial do organismo ao novo dispositivo.

Segundo a empresa, a proposta é que o implante seja utilizado principalmente como tratamento de manutenção após o início da terapia convencional. Dessa forma, o paciente poderia receber apenas uma ou duas aplicações por ano, reduzindo a necessidade das injeções semanais atualmente utilizadas com medicamentos da classe.
O NPM-139 é formado por um pequeno reservatório de titânio preenchido com uma dose específica de semaglutida. Em uma das extremidades do implante existe uma membrana composta por milhões de canais microscópicos, responsáveis por controlar a liberação gradual do medicamento na corrente sanguínea ao longo de meses. O funcionamento é semelhante ao de implantes contraceptivos subdérmicos, como o Implanon.
Além da liberação prolongada do princípio ativo, a tecnologia está sendo desenvolvida em diferentes concentrações para atender às necessidades individuais dos pacientes. Apesar dos resultados iniciais considerados promissores, o dispositivo ainda não pode ser utilizado na prática clínica, pois precisa passar por todas as etapas de testes em seres humanos e pelas aprovações das agências reguladoras.
Em entrevista à CNBC, o presidente e diretor-executivo da Vivani Medical, Adam Mendelsohn, afirmou que ampliar as opções de tratamento pode contribuir para reduzir a interrupção do uso dos medicamentos.
“É fundamental termos opções que facilitem o acesso das pessoas a todos os benefícios desses tratamentos e que evitem a interrupção do tratamento nas taxas que estamos observando. O potencial desses medicamentos não está sendo aproveitado adequadamente no momento.”
Antes do desenvolvimento do NPM-139, a empresa conduziu o estudo clínico LIBERATE-1 para avaliar outro implante, o NPM-115, contendo exenatida, medicamento também pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. O ensaio envolveu 24 adultos com sobrepeso e obesidade e, segundo a Vivani, apresentou perfil de segurança considerado adequado, sem registro de efeitos adversos graves.
Já os testes pré-clínicos com o NPM-139 mostraram resultados positivos em modelos animais. Em roedores, o implante promoveu redução de aproximadamente 20% do peso corporal após um ano de tratamento, resultado que motivou o avanço para as próximas fases de desenvolvimento.
Como age a semaglutida
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo intestino que atua na regulação da saciedade e do controle da glicemia. Os medicamentos reproduzem esse mecanismo, retardando o esvaziamento do estômago, reduzindo o apetite e auxiliando no controle dos níveis de açúcar no sangue.
No Brasil, a semaglutida está presente em medicamentos como Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, Wegovy, aprovado para o tratamento da obesidade, e Rybelsus, versão em comprimidos. Outro medicamento utilizado para o controle do peso é o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, que atua simultaneamente nos receptores dos hormônios GLP-1 e GIP, potencializando o efeito sobre a saciedade.
Caso os estudos confirmem a segurança e a eficácia do NPM-139, o implante poderá representar uma alternativa de longa duração para pacientes que necessitam de tratamento contínuo da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, o dispositivo ainda está em fase experimental e não possui previsão de aprovação ou de comercialização.