A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, principais doenças inflamatórias intestinais, podem evoluir para câncer quando não são diagnosticadas e tratadas adequadamente. O alerta foi feito pela coloproctologista Rosa Mendes. Segundo a médica, apesar dos avanços da medicina, ainda não há uma causa definida para essas doenças, que têm caráter crônico e envolvem fatores genéticos, imunológicos e ambientais.
De acordo com a especialista, pessoas com histórico familiar apresentam maior predisposição para desenvolver a doença, mas fatores relacionados ao estilo de vida podem desencadear ou agravar as crises. Alimentação inadequada, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e alterações bruscas na rotina estão entre os elementos associados ao agravamento do quadro.

A recomendação é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e daqueles que favorecem a produção de gases, como algumas verduras e o feijão. Segundo Rosa Mendes, esses alimentos podem intensificar os sintomas tanto da doença de Crohn quanto da retocolite ulcerativa, embora não seja necessário eliminá-los completamente da alimentação.
As doenças podem atingir pacientes de diferentes idades, inclusive adolescentes, e o componente emocional também influencia a evolução dos sintomas. Conforme a médica, períodos de estresse e ansiedade podem contribuir para o aparecimento ou agravamento das crises.
O diagnóstico pode ser mais difícil quando o paciente procura atendimento durante uma fase aguda da doença. Nesses casos, explicou a especialista, a colonoscopia pode ser contraindicada devido ao risco de perfuração provocado pela intensa inflamação da mucosa intestinal. Por isso, a investigação costuma ser realizada quando o processo inflamatório está controlado.
Entre os exames utilizados está a dosagem da calprotectina fecal, proteína que auxilia na identificação da inflamação intestinal. Segundo Rosa Mendes, as doenças têm relação com alterações do sistema imunológico, que passa a atacar bactérias benéficas do intestino, provocando inflamação e episódios de diarreia.
Durante as crises, os pacientes podem apresentar diarreia persistente, perda de peso, anemia e sangramento intestinal. A retocolite ulcerativa, segundo a médica, costuma provocar mais sangramento do que a doença de Crohn.
Ela explicou que uma das diferenças entre as duas enfermidades está na distribuição das lesões observadas nos exames. Na doença de Crohn, as lesões aparecem de forma descontínua ao longo do intestino, enquanto a retocolite ulcerativa acomete o reto e o cólon de maneira contínua. Na prática clínica, afirmou, o reto costuma ser a região mais frequentemente atingido.
Segundo Rosa Mendes, todas as doenças inflamatórias intestinais apresentam risco de evolução para câncer quando permanecem sem tratamento. Apesar disso, o acompanhamento médico permite controlar os sintomas, reduzir a inflamação e diminuir o risco de complicações a longo prazo.
A doença de Crohn não tem cura, mas pode permanecer em remissão por longos períodos com o tratamento adequado. Já a retocolite ulcerativa também pode entrar em remissão e, nos casos mais graves e recorrentes, pode exigir cirurgia para retirada da porção do cólon comprometida.
O tratamento varia conforme a gravidade do quadro. Nas formas iniciais, são utilizados medicamentos derivados do ácido acetilsalicílico, fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Unicat. Em pacientes com maior dificuldade de controle da doença, podem ser indicados medicamentos biológicos, de alto custo, que também são disponibilizados pelo SUS em situações específicas.
A especialista ressaltou que a combinação entre tratamento medicamentoso, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse é fundamental para que pacientes com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa mantenham qualidade de vida e convivam com a doença de forma controlada. Ela reforçou que o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são essenciais para evitar a progressão da inflamação intestinal e reduzir o risco de complicações, incluindo o desenvolvimento de câncer colorretal.