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SUS adquire tecnologia para produzir remédio contra o HIV

A produção nacional do dolutegravir pela Fiocruz aguarda autorização da Anvisa para reforçar o abastecimento do SUS no tratamento do HIV.
Por O Correio de Hoje
17/07/2026 | 14:42

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para produzir o principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil, o antirretroviral dolutegravir, distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV utilizam o medicamento no país.

O dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa especializada em prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, a companhia firmou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), da Fiocruz, para nacionalizar progressivamente a produção do medicamento e garantir seu fornecimento ao SUS.

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Fiocruz conclui transferência de tecnologia para produzir principal remédio contra HIV usado no SUS

Desde então, Farmanguinhos realizou investimentos para adaptar sua planta industrial, adquirir novos equipamentos, capacitar profissionais e estruturar processos técnicos, regulatórios e operacionais necessários à produção nacional. Com a conclusão dessa etapa, o início do fornecimento do medicamento fabricado no Brasil depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desde 2022, o instituto já é responsável pela distribuição ao SUS de comprimidos produzidos nas fábricas da GSK. Nesse período, mais de 739 milhões de cápsulas foram fornecidas à rede pública. Em 2025, Farmanguinhos também passou a realizar as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

Três lotes do dolutegravir já foram produzidos e validados pelo instituto e poderão ser distribuídos assim que houver a liberação da Anvisa. Paralelamente, a Fiocruz trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa necessária para consolidar todo o processo produtivo no país.

O acordo de transferência de tecnologia prevê ainda uma nova fase: a produção nacional da combinação entre dolutegravir e lamivudina, outro esquema terapêutico amplamente utilizado no SUS. A expectativa é que essa fabricação tenha início no próximo ano.

Como age o dolutegravir

O dolutegravir é um dos principais medicamentos utilizados no tratamento do HIV em todo o mundo. Ele pertence à classe dos inibidores da integrase, atuando ao bloquear uma enzima essencial para a replicação do vírus nas células de defesa do organismo.

Com isso, o medicamento reduz a carga viral a níveis indetectáveis, preserva o sistema imunológico, impede a progressão da infecção para a Aids e apresenta, em geral, poucos efeitos colaterais quando comparado a tratamentos mais antigos.

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o dolutegravir como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar. A produção nacional do medicamento deverá ampliar a autonomia do Brasil no abastecimento do SUS e fortalecer a capacidade do país de garantir o acesso contínuo ao tratamento.