O uso de receitas caseiras, produtos indicados por influenciadores digitais e procedimentos estéticos realizados sem avaliação médica pode agravar doenças de pele e provocar complicações como queimaduras, alergias, cicatrizes permanentes e necrose. O alerta foi feito pela dermatologista Alana Wanderley.
Segundo a médica, as redes sociais ampliaram o acesso à informação, mas também facilitaram a circulação de conteúdos sem respaldo científico. Ela afirmou que um dos principais problemas observados no consultório é o autodiagnóstico, quando pacientes tentam identificar sozinhos lesões de pele e iniciam tratamentos por conta própria.

De acordo com a especialista, é comum que pessoas utilizem pomadas, ácidos ou misturem diferentes produtos para cuidados com a pele após assistirem a vídeos no TikTok ou Instagram. Ela destacou que cada pele possui características próprias e que o tratamento deve ser individualizado.
A dermatologista também chamou atenção para a popularização dos cosméticos coreanos. Conforme explicou, esses produtos possuem formulações diferentes das comercializadas no Brasil, onde determinados princípios ativos são classificados como medicamentos acima de certas concentrações. Além disso, alertou para o risco da compra de produtos falsificados em plataformas sem procedência conhecida.
Entre as receitas caseiras mais frequentes, Alana Wanderley citou o uso de limão, vinagre, sal, bicarbonato de sódio, pasta de dente e álcool diretamente sobre a pele. Segundo ela, essas práticas não têm eficácia comprovada e podem causar danos importantes.
Ela explicou que o limão pode provocar fitofotodermatose, reação química que, em contato com a luz solar, causa manchas escuras, queimaduras e bolhas. Por isso, orientou que a fruta não seja aplicada na pele e que, em caso de contato, a exposição ao sol seja evitada.
O uso de bicarbonato, pasta de dente ou pomadas caseiras para tratar espinhas também foi classificado como inadequado. Conforme a médica, essas substâncias podem aumentar a inflamação da acne e favorecer o surgimento de manchas e cicatrizes permanentes.
Outro ponto destacado foi o uso indiscriminado de ácidos adquiridos pela internet. Segundo Alana Wanderley, é frequente o atendimento de pacientes com piora do melasma, agravamento da acne, descamação intensa e reações alérgicas após utilizarem produtos recomendados por influenciadores sem orientação médica.
Ela afirmou que a indicação de ácidos deve considerar o tipo de pele e o objetivo do tratamento, seja para controle da acne, rejuvenescimento ou outras condições dermatológicas.
A dermatologista também alertou para o aumento de pessoas que realizam procedimentos invasivos em casa após assistirem a vídeos nas redes sociais.
Ela explicou que o microagulhamento deve ser realizado apenas por profissionais habilitados, utilizando materiais descartáveis e técnica adequada. Como o procedimento provoca microperfurações na pele, sua execução incorreta aumenta o risco de infecções, inflamações e outras complicações.
Durante a entrevista, Alana Wanderley mencionou o caso de um paciente que morreu após realizar um peeling de fenol em São Paulo com um profissional que não era médico. Segundo ela, o procedimento exige ambiente hospitalar, monitorização cardíaca e estrutura semelhante à de um centro cirúrgico devido ao risco de complicações sistêmicas.
A médica também abordou os preenchimentos faciais realizados por pessoas sem qualificação. De acordo com ela, quando o ácido hialurônico é aplicado de forma inadequada, podem ocorrer necrose da pele, comprometimento dos vasos sanguíneos e, em situações extremas, cegueira.
Ela ressaltou que o ácido hialurônico é uma substância produzida naturalmente pelo organismo e representa um importante recurso da dermatologia quando utilizado corretamente, mas enfatizou que o procedimento deve ser realizado por profissional capacitado.
A dermatologista orientou que consumidores desconfiem de produtos que prometem resultados rápidos, eficácia garantida para qualquer tipo de pele ou dispensem avaliação médica. Também destacou que o fato de um produto ser natural ou vegano não significa que seja seguro, já que substâncias dessa origem também podem provocar alergias e outras reações adversas.
No consultório, as complicações mais frequentes relacionadas às tendências divulgadas nas redes sociais incluem queimaduras provocadas por ácidos, piora do melasma, dermatites causadas pelo excesso de produtos, agravamento da acne, infecções e reações alérgicas decorrentes de procedimentos realizados em casa.
Questionada sobre procedimentos para redução de gordura localizada, como a criolipólise, Alana Wanderley afirmou que a técnica pode ser utilizada quando há indicação adequada, mas ressaltou que ela não substitui hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de atividade física.
Ao final da entrevista, a dermatologista reforçou que qualquer alteração na pele deve ser avaliada por um especialista antes do início de tratamentos indicados por terceiros ou divulgados na internet. Segundo ela, a orientação médica é a forma mais segura de evitar complicações e garantir um tratamento adequado para cada paciente.