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Crise no STF

Fachin assume inquérito das fake news e tira Moraes da relatoria em meio à crise no STF

Presidente do Supremo suspendeu decisões de Mendonça e Dino sobre a cúpula da PF e centralizou procedimentos ligados ao caso Master
Agora RN
09/09/2026 | 18:28

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu nesta quarta-feira 9 a relatoria do Inquérito das Fake News, que estava sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes. A decisão ocorre em meio à crise provocada por procedimentos ligados ao Banco Master e por decisões conflitantes sobre a direção da Polícia Federal.

Fachin determinou que as ações penais derivadas do inquérito continuem sob relatoria de Moraes. Os atos praticados ao longo da investigação também foram preservados.

Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal
Edson Fachin, presidente do STF, assumiu a relatoria do Inquérito das Fake News — Foto: Gustavo Moreno/STF

O que é o Inquérito das Fake News

O Inquérito das Fake News foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 para apurar notícias fraudulentas, falsas comunicações de crimes, denúncias caluniosas, ameaças e outros ataques dirigidos à Corte, aos ministros e a seus familiares.

Alexandre de Moraes foi escolhido para conduzir a investigação desde a abertura do caso. Assim, ele esteve à frente do inquérito por mais de sete anos, até a decisão de Fachin desta quarta-feira.

Decisões que marcaram o inquérito

  • 2019: o então presidente do STF, Dias Toffoli, abriu o inquérito e designou Alexandre de Moraes como relator.
  • 2020: o Plenário do STF declarou, por 10 votos a 1, a legalidade e a constitucionalidade da abertura da investigação. A decisão validou a atuação do Supremo para apurar ameaças, campanhas de desinformação e ataques contra a Corte.
  • 2020: Moraes autorizou buscas e apreensões para investigar a possível existência de uma estrutura de financiamento e divulgação em massa de conteúdos contra o STF e o Estado de Direito.
  • 2021: o Plenário manteve, por unanimidade, a prisão em flagrante do então deputado Daniel Silveira, determinada no âmbito do inquérito após a divulgação de vídeo com ameaças e defesa de medidas antidemocráticas contra ministros.
  • 2026: Fachin assumiu a relatoria, preservou os atos já praticados e passou a centralizar os procedimentos ligados à crise no STF.

Fachin já sinalizou que defende o encerramento

Antes de assumir a relatoria, Fachin já havia defendido publicamente o encerramento do inquérito. Em manifestação no último dia 4, o presidente do STF afirmou que pretendia avançar na busca de um caminho jurídico para encerrar a investigação.

A decisão desta quarta-feira, porém, não extingue o inquérito. Ela transfere a relatoria para a Presidência do STF, preserva os atos já praticados e mantém Moraes responsável pelas ações penais que nasceram da investigação.

O que muda com a decisão

Inquéritos, petições e outros procedimentos que haviam sido distribuídos a Moraes por conexão com o Inquérito das Fake News deverão retornar à Presidência do STF. Depois, poderão ser encaminhados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, responsáveis pelas providências cabíveis.

Fachin afirmou que a medida busca dar segurança jurídica e delimitar as atribuições institucionais dentro do Supremo. Na semana passada, ele já havia pedido explicações a Moraes, Mendonça, Gonet e à Polícia Federal sobre os fatos que desencadearam a crise.

Decisões sobre a cúpula da PF foram suspensas

Na terça-feira 8, André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Na manhã desta quarta-feira, Flávio Dino derrubou o afastamento e mandou reintegrar os dois aos cargos.

Mais tarde, Fachin suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a decisão de Dino. Ao paralisar as duas decisões, o presidente do STF centralizou a análise do caso e manteve Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal até nova definição da Corte.

Na véspera, a Segunda Turma havia formado maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista.

Crise teve início após relatório sobre Banco Master

A crise ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo de um procedimento que incluía relatório da Polícia Federal com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. A PGR questionou a validade da apuração e pediu a nulidade do relatório que mencionava Moraes e Vorcaro.

Depois disso, Moraes pediu investigação contra Mendonça no âmbito do Inquérito das Fake News. O presidente do STF passou a concentrar os procedimentos e, agora, assumiu formalmente a relatoria da investigação.