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Economia

Mercado corta projeção de inflação para 5% em 2026, ainda acima do teto da meta, diz o Focus

Analistas veem a Selic terminando o ano em 13,75% ao ano, e o Copom volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro
Agora RN
09/09/2026 | 18:46

As instituições financeiras baixaram de leve a previsão de inflação para este ano — de 5,01% para 5%, uma diferença de um centésimo. O número aparece no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira 8. Mesmo com o recuo, a estimativa para o IPCA — o índice oficial — continua acima do teto que o Conselho Monetário Nacional estabeleceu para o período.

O Focus é uma pesquisa semanal em que o Banco Central recolhe o que bancos e consultorias esperam dos principais indicadores da economia — de inflação e juros a câmbio e crescimento.

Fachada do Banco Central do Brasil
Fachada do Banco Central do Brasil, em Brasília — Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

A meta de inflação está fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cada lado — o que na prática desenha um corredor entre 1,5% e 4,5%. A projeção de 5% fica, portanto, meio ponto percentual acima do limite superior desse corredor.

O que já aconteceu com os preços

Em julho, a queda no preço dos alimentos ajudou a inflação oficial a perder fôlego pelo quarto mês consecutivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo marcou 0,07% no mês e acumulou 4,44% em doze meses, conforme o IBGE. Já o número de agosto só será conhecido na sexta-feira 11.

Olhando para a frente, o mercado segue apostando numa desaceleração gradual dos preços. Para 2027, a projeção subiu de 4,28% para 4,29%. Em 2028, a expectativa é de 3,8%; em 2029, de 3,5%.

Os juros

A ferramenta principal do Banco Central contra a inflação é a Selic, que está em 14% ao ano. No encontro de agosto, o Copom aparou 0,25 ponto percentual — o quarto corte seguido. Antes disso, de junho de 2025 até março deste ano, a taxa ficara parada nos 15%, nível que o País não via havia quase vinte anos.

Os cortes começaram em março, quando a inflação dava sinais de perder força. Só que a alta de combustível e de alimento ligada à guerra no Oriente Médio acabou pressionando o processo. O Copom volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro.

Pelo Focus desta semana, os analistas esperam a Selic encerrando 2026 em 13,75% ao ano. Para os anos seguintes, a expectativa é de 12% em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029. Juro alto ajuda a segurar a demanda por duas vias: encarece o crédito e torna a poupança mais atraente. Só que o mesmo mecanismo pode frear o ritmo da atividade econômica.

O tamanho da economia

Houve revisão para cima, ainda que mínima, na expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026: a estimativa do Produto Interno Bruto foi de 1,92% a 1,93%. Já para 2027 ela continuou em 1,5%. Depois disso, o mercado espera 1,96% em 2028 e 2% em 2029.

No segundo trimestre deste ano, o PIB brasileiro avançou 0,5% sobre os três meses anteriores e acumulou alta de 1,9% em doze meses, segundo o IBGE. Em 2025, a economia tinha crescido 2,3%, com todos os setores em expansão e a agropecuária puxando o resultado — foi o quinto ano seguido de avanço.

No câmbio não houve mudança nenhuma: o mercado segue apostando no dólar a R$ 5,20 no fim de 2026 e a R$ 5,30 no fecho de 2027.

As próximas semanas trazem dois testes para todas essas estimativas: a divulgação do IPCA de agosto e a nova decisão do Copom a respeito da Selic.