Cadu de Lula (PT) chamou de financeiramente inviável, nas condições em que o Rio Grande do Norte se encontra, a promessa do adversário Allyson Bezerra (União) de construir mais uma travessia sobre o Rio Potengi — a terceira — na capital. O candidato do PT ao Governo do Estado não põe em dúvida a importância da obra. O que ele cobra é outra coisa: a promessa vem sem explicação sobre de onde sairia o dinheiro para executá-la.
“É uma demanda muito digna da população, principalmente da Zona Norte. A gente tem essa consciência. Mas como é que ele vai fazer isso? É fácil chegar aqui e dizer: ‘Eu vou fazer a terceira ponte'”, declarou.

Ele puxou da memória um precedente. Robinson Faria, que governou o estado e hoje caminha ao lado de Allyson, prometeu a mesma obra em campanhas anteriores sem jamais entregá-la.
Na avaliação de Cadu, a ordem dos fatores importa, e ela não começa pela ponte. O próximo governo teria primeiro de recuperar a capacidade de investimento do Estado para só então assumir compromisso com projeto de grande porte. “E eu tenho compromisso com isso, para que, no momento que nós tenhamos uma capacidade de investimento maior, aí sim a gente pense em projetos estruturantes”, afirmou.
A ligação da Zona Norte com as demais regiões da cidade, disse ele, volta à mesa quando houver condição financeira para tanto. Para mostrar que o Estado é capaz de tocar obra desse tamanho, citou a Ponte Newton Navarro, erguida no governo Wilma de Faria. “É possível fazer, sim, mas não dá para chegar e dizer que vai fazer como Robinson fez duas vezes e ele está fazendo agora, sem responsabilidade nenhuma, meramente iludindo o cidadão da Zona Norte de Natal”, criticou.
O que ele promete no lugar
Contestar a ponte não significou apresentar-se sem proposta na área de infraestrutura. Uma delas é abrir uma estrada nova ligando a BR-101 ao distrito de Pipa, de modo a melhorar a chegada a um dos destinos turísticos mais procurados do estado. O traçado passaria por fora da rodovia que hoje faz esse papel, a RN-003, que corta áreas urbanizadas e tem limites físicos e ambientais capazes de inviabilizar uma duplicação.
“Uma nova estrada por fora daquela estrada atual, que foi renovada pelo Governo do Estado, foi recuperada, mas é uma estrada que tem limitações hoje do ponto de vista urbano”, explicou o candidato. Alargar a via que já existe, segundo ele, exigiria desapropriar diversas residências e ainda esbarraria em obstáculos ambientais.
A segunda proposta é implantar a RN-401, uma rodovia de litoral entre Touros e Areia Branca. Na conta do candidato, esse traçado abriria espaço para o turismo crescer no litoral Norte e ligaria à malha viária municípios que ainda enfrentam dificuldade de acesso.
Dois anos de ajuste
Apesar das propostas, Cadu avisou que os dois primeiros anos de uma eventual gestão seriam dedicados a arrumar as contas estaduais — ou seja, encaixar a despesa dentro da receita antes de ampliar o investimento bancado diretamente pelo Tesouro. “A gente vai ter, nos dois primeiros anos, um período de ajuste, um período de recolocar as despesas do Estado dentro das receitas. Isso vai ser um ano e meio”, afirmou.
Passado esse período, a expectativa dele é retomar aos poucos a capacidade de financiar obra estruturante com recurso próprio do Estado. Uma das metas anunciadas é devolver o décimo terceiro dos servidores ao calendário antigo. “Em dezembro do ano que vem, a gente já quer estar pagando o décimo terceiro como era pago antigamente: antecipado 40% e depois a gente fazer o pagamento de 100% do décimo terceiro ainda em dezembro”, declarou.
A conta da Previdência
No diagnóstico do candidato, o rombo da Previdência está no centro do desequilíbrio das contas estaduais. Ele defende a proposta que o atual Governo do Estado levou aos demais Poderes, montada sobre três medidas: elevar a contribuição patronal, segregar a massa de servidores e criar um fundo estadual formado por imóveis e outros bens públicos, cuja receita seria destinada à Previdência.
Cadu fez questão de esclarecer um ponto que costuma gerar ruído entre o funcionalismo: mexer na alíquota patronal não significa aumentar o desconto que cai no contracheque de quem trabalha. “Para o servidor que está ouvindo aqui, não é aumento de alíquota para o servidor. É a alíquota que os Poderes repassam para o Poder Executivo”, explicou.
Enfrentar esse déficit e segurar a despesa, na visão dele, é o que libera dinheiro para infraestrutura e para serviço público. “O grande desafio do Rio Grande do Norte é a questão fiscal. Todo mundo sabe disso e eu nunca neguei isso aqui. Mas a gente tem um projeto para isso”, afirmou. “A nossa primeira preocupação vai ser se comprometer com essa trajetória do Rio Grande do Norte e ampliar sua capacidade de investimento.”