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Política

‘Não contem comigo para travar o RN, e sim para fazer boa gestão’, diz Allyson

Candidato ao Governo do Estado critica burocracia na gestão estadual e fala em informatizar procedimentos, agilizar licenças e realizar mutirão no Idema logo no início do governo
Redação
13/08/2026 | 07:44

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) afirmou que, se eleito, não apoiará a criação de novas restrições administrativas que dificultem investimentos no Estado. Em duas entrevistas realizadas nesta semana, ele colocou a redução da burocracia, a agilização do licenciamento ambiental e a participação da iniciativa privada no centro de sua proposta para recuperar a economia potiguar e ampliar a capacidade de arrecadação do poder público sem aumentar impostos.

“Não contem comigo para estar criando resoluções, portarias e medidas administrativas para travar mais o Rio Grande do Norte. Não. Contem comigo para destravar o Rio Grande do Norte. Contem comigo para fazer boa gestão”, declarou Allyson, durante entrevista na última terça-feira 11 ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN. A mesma posição foi apresentada horas antes na sabatina do Fórum Caminhos do RN, promovido pela Federação das Indústrias (Fiern) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas (Midiacom-RN).

Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, candidato ao Governo do RN pelo União Brasil - Foto: Divulgação Fiern
Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, candidato ao Governo do RN pelo União Brasil - Foto: Divulgação Fiern

Nos dois eventos, Allyson apresentou o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), responsável pelo licenciamento ambiental estadual, como um dos órgãos que deverão passar por mudanças. A proposta anunciada pelo candidato é realizar um mutirão logo no início do governo para analisar processos acumulados e reduzir o tempo necessário para a concessão das autorizações.

“Nós vamos fazer um grande mutirão para a liberação de alvarás dentro do Idema, para que a gente tenha liberdade econômica”, afirmou na TV Agora RN. Segundo ele, a recuperação fiscal do Estado não poderá ocorrer apenas pela contenção de despesas. O candidato aposta na liberação de empreendimentos para ampliar a atividade econômica, criar empregos e elevar a receita estadual.

Allyson citou como setores prejudicados pela demora na emissão de licenças as atividades de petróleo e gás, mineração, turismo e geração de energia renovável. “Não há como você defender que o Estado do Rio Grande do Norte consiga sair da crise sem defender que o Idema tem que liberar licença para a extração de petróleo, de gás, construir resort, construir hotéis, extração mineral. O Estado do Rio Grande do Norte tem que viabilizar os projetos de energia eólica e de energia solar”, declarou.

De acordo com o candidato, representantes do setor de petróleo já aguardam autorizações para iniciar empreendimentos, o que permitiria obter resultados econômicos em prazo menor do que normalmente se espera de uma política de atração de empresas.
“O setor de petróleo estima que apenas na liberação da licença para a extração de petróleo e gás no Rio Grande do Norte, o Estado arrecadaria, de saída, R$ 200 milhões. Esses são números conhecidos na Federação das Indústrias, números conhecidos no setor de petróleo e gás”, disse. Allyson não detalhou durante a entrevista em quanto tempo essa receita seria obtida nem quais projetos estão paralisados.

Conciliação entre desenvolvimento e meio ambiente

Na sabatina da Fiern, o candidato afirmou que a aceleração dos processos não representaria a eliminação das exigências ambientais. Segundo ele, os empreendedores continuarão obrigados a cumprir a legislação, apresentar projetos adequados e respeitar normas técnicas. A mudança estaria na forma e no prazo de análise dos pedidos.

“Vai acabar o tempo da espera. Vai acabar o tempo do papel. Vai acabar o tempo que alguém tem que ir lá se humilhar, apresentar o seu documento, o seu papel, para poder ter a liberação de um processo”, declarou. “Tem que seguir as leis, sim. Tem que ter organização, sim. Tem que ter uma obra de qualidade, sim. Tem que fazer bem feito, sim. Agora, não quero nada travado, não.”

Como exemplo do modelo que pretende ampliar para o Estado, Allyson citou uma medida implantada em Mossoró durante sua gestão como prefeito. Segundo ele, construções residenciais com até 400 metros quadrados podem obter alvará automaticamente.

O candidato afirmou que a iniciativa permitiu reduzir a espera sem dispensar o cumprimento das regras urbanísticas.

Para Allyson, a liberação mais rápida de empreendimentos é uma alternativa ao aumento de alíquotas. “A forma mais rápida e eficiente de ter arrecadação não é aumentando imposto. É fazendo a liberação dos empreendimentos que vão gerar recursos para o Estado”, afirmou. Ele acrescentou que a abertura de empresas e a formalização de empregos também produzem receitas destinadas à educação e a outras políticas públicas.

O candidato argumentou ainda que preservação ambiental e desenvolvimento econômico não devem ser apresentados como objetivos incompatíveis. Para ele, o próprio investimento na recuperação de áreas degradadas depende da existência de recursos públicos gerados pela atividade produtiva. “A melhor forma de cuidar do meio ambiente é a gente ter recurso para fazer investimento. E, para ter investimento, tem que ter recurso. E, para ter recurso, tem que ter desenvolvimento. E, para ter desenvolvimento, tem que ter um Estado destravado”, declarou na Fiern.

Apesar da defesa da agilização das licenças, Allyson afirmou que obras estruturantes deverão respeitar critérios ambientais e de engenharia. Ao tratar da engorda da Praia de Ponta Negra, criticou a execução do projeto pela Prefeitura do Natal durante a gestão de Álvaro Dias (PL )e sustentou que a intervenção deveria ter sido acompanhada por uma solução de drenagem. Ele comparou a obra a projetos executados em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e Fortaleza, no Ceará.

“A coisa mais importante para se respeitar o meio ambiente é respeitar a boa engenharia, a boa técnica”, disse. Allyson, que é engenheiro civil e possui formação nas áreas de meio ambiente, gestão pública, solo e água, declarou que pretende dialogar com universidades, órgãos ambientais e a Prefeitura do Natal para executar novas intervenções em Ponta Negra.

Governo digital e parcerias privadas

A redução da burocracia anunciada por Allyson inclui a informatização dos processos administrativos estaduais. Durante a entrevista à TV Agora RN, ele criticou a necessidade de servidores comparecerem presencialmente às repartições para solicitar progressões funcionais ou documentos que poderiam ser requeridos pela internet.

“Eu quero informatizar esse Estado. Não é possível que a gente esteja em pleno 2026 e que um servidor, para fazer um pedido de progressão, tenha que ir a uma repartição pública, sendo que a gente tem tudo hoje on-line”, afirmou.

O candidato disse ter implantado em Mossoró o primeiro governo digital do Rio Grande do Norte e prometeu levar o modelo para a administração estadual caso seja eleito.

“A maior medida de transparência é a gente conseguir colocar tudo dentro de um sistema, informatizar, digitalizar e ter rastreabilidade, ter controle, ter fiscalização, ter transparência”, disse. Allyson defendeu que a Justiça e os órgãos de controle tenham acesso aos documentos, trâmites administrativos e processos financeiros do Estado.

Outra frente proposta é ampliar concessões e parcerias com empresas privadas. Allyson afirmou que o poder público não possui recursos suficientes para executar sozinho todas as obras necessárias e que o Estado deverá oferecer projetos capazes de atrair investidores. “Eu sou defensor de que o poder público trabalhe em parceria com a iniciativa privada. É fundamental isso”, declarou à TV Agora RN.

Como referência, mencionou a concessão da Arena Nogueirão, em Mossoró. O grupo privado responsável pelo projeto construirá uma arena com capacidade para 15 mil pessoas, shopping, centro de convenções e área comercial. O contrato também prevê um novo centro administrativo municipal, sem desembolso direto da prefeitura. Em contrapartida, o empreendimento será administrado pela empresa durante o prazo definido na concessão.

Allyson afirmou que pretende avaliar modelos semelhantes para equipamentos turísticos estaduais, entre eles o Centro de Convenções de Natal, e para projetos de infraestrutura. “Eu defendo o modelo que o Estado consiga lucrar e repassar esse lucro para o povo. Eu defendo o modelo em que o equipamento esteja ativo. Não é justo o equipamento parado”, afirmou.

Na Fiern, prometeu atrair capital privado para projetos portuários, ferroviários, aeroportuários e rodoviários. Defendeu a modernização do Porto de Natal, a retomada da discussão sobre ferrovias e o melhor aproveitamento dos aeroportos de Mossoró, Caicó e São Gonçalo do Amarante. “Nós temos que trazer a iniciativa privada, meu povo. Nós temos que chamar a iniciativa privada para fazer e construir ferrovia no Estado”, declarou.

O candidato condicionou, porém, a realização dessas obras à recuperação da situação fiscal. Segundo ele, o Estado precisa reorganizar as contas, melhorar sua capacidade de pagamento e construir um banco de projetos para disputar recursos federais e privados. “Não espere de mim mais trava para o Rio Grande do Norte. Espere de mim um governo destravado”, concluiu.