Três mulheres do PT potiguar receberam ameaças durante o feriadão da Independência, e o partido veio a público cobrar resposta. Quem falou foi Samanda de Lula — presidente da legenda no Estado e candidata ao Senado —, exigindo que os autores das mensagens sejam identificados e punidos pelo que fizeram.
Os relatos vieram da deputada federal Natália Bonavides, da vereadora de Natal Brisa Bracchi e da candidata a deputada estadual Juliana Garcia. As três descreveram episódios de ameaça, de ofensa e de intimidação ocorridos em plena campanha eleitoral. O conteúdo dos ataques inclui referência a morte, a violência sexual, a “estupro corretivo” e a esquartejamento — além da exposição de informações pessoais e de dados de familiares.

“Mulheres do meu partido estão sendo ameaçadas. Ameaças de morte, de violência sexual, de estupro corretivo, de esquartejamento. Ameaças graves, extensivas aos seus familiares. Ataques covardes que têm o objetivo de nos amedrontar e de nos tirar da disputa política”, afirmou Samanda.
Como dirigente estadual da sigla, ela disse que o partido vai cobrar das autoridades tanto a identificação e a punição dos responsáveis quanto a garantia de segurança para as mulheres ameaçadas. Parlamentares e partido tratam os episódios como violência política de gênero.
E-mails com data marcada e transmissão ao vivo
Vereadora em Natal e candidata a uma vaga na Câmara dos Deputados, Brisa Bracchi contou que tudo chegou em 1º de setembro — nas duas caixas de e-mail que usa, a pessoal e a do gabinete.
O teor era misógino e LGBTfóbico. Havia descrição de agressão sexual e de morte, havia uma data marcada para a suposta execução, havia até menção a uma transmissão ao vivo. Num segundo e-mail vieram dados pessoais dela e de gente da família.
Uma das assinaturas nas mensagens leva o nome de um homem ligado a grupos neonazistas, com passagem pela prisão por crime violento. Nada disso, contudo, foi confirmado como autoria até aqui.
Guardado o material, ele seguiu para a Polícia Civil, que abriu investigação. Pela Ouvidoria da Mulher, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) foi avisado; e o Ministério Público Eleitoral despachou o caso para a Polícia Federal. O Ministério das Mulheres também foi avisado.
“Sociedade Secreta Carbonária”
Natália Bonavides, que tenta um novo mandato na Câmara, também denunciou e-mail com ameaça de violência sexual e de esquartejamento.
A mensagem saiu de endereço encriptado e trazia a assinatura de um grupo que se chama “Sociedade Secreta Carbonária” e invocou a Ku Klux Klan. O texto detalhava as agressões e vinha acompanhado de CPFs, endereços e outros dados de parentes e de pessoas do convívio da deputada.
A equipe da deputada entregou o que tinha a três instâncias: Polícia Civil, Polícia Legislativa e Ministério Público Eleitoral. Se há elo entre o que chegou a ela e o que chegou a Brisa, ninguém confirmou até este momento.
A deputada disse já ter passado por situação parecida em outras ocasiões e defendeu que esses episódios não sejam normalizados como se fossem parte do debate político.
Ataques que voltam ao caso do elevador
Juliana Garcia descreveu uma enxurrada de ataques, ofensas e ameaças nas redes desde que a campanha começou. Parte das mensagens voltava ao episódio de julho de 2025, quando ela quase foi morta pelo namorado da época: foram 61 socos, dentro do elevador de um prédio em Ponta Negra, na Zona Sul da capital. O caso ganhou repercussão nacional.
Diante da escalada dos ataques virtuais, a candidata passou a restringir os comentários nos vídeos que publica no Instagram. Segundo ela, a medida serve para impedir que as redes continuem funcionando como instrumento de intimidação e humilhação — e não significa recusa ao debate político.
Governo aciona a Sesed
A governadora Fátima Bezerra (PT) veio a público dizer que já mandou a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) tomar o que for preciso para apurar os casos e dar proteção a quem foi ameaçada.
As três disseram que não vão parar: seguem com a agenda política e com a campanha.
Para Samanda, as ameaças miram afastar mulheres dos espaços de decisão. “Quando uma de nós é atacada, é a democracia que fica ferida de morte. E vocês sabem como vamos responder? Incomodando ainda mais. Ocupando cada vez mais lugares. Enfrentando os covardes e os misóginos. Nenhuma ameaça vai nos fazer recuar!”, declarou.
No fim da manifestação, ela prestou solidariedade às três. “Brisa Bracchi, Natália Bonavides, Juliana Garcia, a vocês toda minha solidariedade, minha força e minha luta”, afirmou.