O PT vive uma disputa interna que pode se tornar cada vez mais ruidosa à medida que se aproxima o período eleitoral. É a briga pela possível terceira vaga de deputado federal, que a federação PT-PV-PCdoB pode alcançar em 2026 a depender da votação obtida pela nominata.
Em 2022, é preciso lembrar, a chapa da federação conseguiu votos suficientes para eleger três federais, mas os partidos não levaram porque a 3ª colocada (a hoje vereadora de Natal Samanda Alves) não obteve votação individual suficiente para superar a cláusula de barreira. A vaga acabou sendo redistribuída.

Para o próximo ano, a expectativa no grupo é que Natália Bonavides, o nome mais forte da chapa, tenha uma votação expressiva – assim como Fernando Mineiro. Neste cenário, os dois garantiriam a reeleição e, com o restante da chapa, haveria votos suficientes para uma terceira cadeira.
É aí que começa a disputa. Internamente, há dois nomes que planejam abocanhar essa terceira vaga: Samanda Alves, a mesma que ficou em 3º lugar em 2022 e que acabou de ser eleita presidente estadual do partido, e o ex-prefeito de Currais Novos Odon Júnior. Eles estão de olho no espólio eleitoral da governadora Fátima Bezerra, que será candidata ao Senado.
Hoje os dois pertencem ao mesmo grupo, que também é composto pelo deputado estadual Francisco do PT, líder do Governo Fátima na Assembleia Legislativa. Recentemente, porém, com a avaliação de que a chance de 3ª vaga é real, aumentaram as chances de Samanda e Odon serem candidatos simultaneamente.
O que poderia ser uma disputa saudável, para alavancar a votação do partido, começa a preocupar os petistas. Há uma avaliação interna de que, no caso de Samanda e Odon estarem em duas candidaturas separadas, um vai tirar voto do outro, o que pode acabar favorecendo algum nome do PCdoB ou do PV – que levaria a terceira cadeira.
Nesse cenário, o PCdoB, como mostrou a Coluna Opinião, está de olho na possível filiação do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo. Ele negou a informação esta semana, mas fontes da Coluna garantem que a possibilidade é real. Um sinal disso seria a recente nomeação de Dácio Galvão, fiel escudeiro de Carlos, como subsecretário do Governo Fátima.
Outro nome que pode acabar levando a melhor com a disputa entre Samanda Alves e Odon Júnior é a vereadora de Natal Thabatta Pimenta. Ela está no Psol, mas é cogitada no PV para 2026. Na eleição passada, Thabatta teve uma votação expressiva: foram mais de 40 mil votos. Na época, ela era vereadora em Carnaúba dos Dantas, no Seridó, e estava filiada ao PSB. A avaliação na esquerda é que a parlamentar – primeira trans a ser eleita em Natal – pode superar essa marca em 2026.
Sem dúvida
A deputada federal Carla Dickson está convicta de que sua reeleição ficará extremamente ameaçada caso decida permanecer no União Brasil. Especialmente agora depois que Nina Souza, primeira-dama e secretária de Assistência Social de Natal, confirmou que vai para a disputa com o apoio do marido, o prefeito Paulinho Freire.
Procurando o pretexto
Carla Dickson, porém, não quer romper de maneira abrupta e reúne elementos para argumentar que sair do partido é uma questão de sobrevivência política – justificativa que normalmente é bem engolida no meio político. Nos próximos dias, ela deverá se reunir com o presidente nacional, Antônio Rueda, para discutir a situação. A janela partidária abre em março.
Vantagem
Dentro da federação União-PP, a leitura atual é que quatro nomes largam na frente de Carla Dickson na corrida para federal. São eles: Benes Leocádio e Nina Souza, do União Brasil, e João Maia e Robinson Faria, pelo PP. Carla seria a 5ª força do grupo – portanto, com poucas chances de conseguir renovar a cadeira.
Aproximação
A esposa de Albert Dickson tem convite para se filiar ao PL. Ela tem mantido conversas com o senador Rogério Marinho e tem se aproximado muito da bancada bolsonarista na Câmara dos Deputados. Nesta semana, até foto com esparadrapo na boca ela postou – em uma crítica à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de restringir o acesso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) às redes sociais.
“Super suplente”
Aliados de Fátima Bezerra têm levado em consideração um argumento forte nas sondagens para escolher os dois suplentes da candidatura dela ao Senado. Alegam que, em caso de eleição dela e reeleição do presidente Lula, é grande a chance de o suplente virar senador. Exemplos disso não faltam. Vejam os casos de Camilo Santana (Ceará), Flávio Dino (Maranhão) e Wellington Dias (Piauí) – que foram eleitos senadores em 2022, mas na transição foram chamados por Lula para serem ministros. A suplente de Flávio Dino, Ana Paula Lobato, se deu melhor ainda, pois virou titular absoluta no Senado após Dino ir para o STF. No entorno da governadora, a avaliação é que Fátima tem estatura suficiente para ser ministra em um eventual governo Lula 4.