A PetroReconcavo recebeu um novo conjunto de licenças ambientais do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) para ampliar suas atividades de exploração e produção de petróleo em campos localizados nos municípios de Mossoró e Caraúbas. As autorizações, publicadas no Diário Oficial do Estado desta terça-feira 23, abrangem perfuração de poços, implantação de infraestrutura de apoio e renovação de operações em áreas já produtivas.
As licenças reforçam a estratégia da companhia de intensificar investimentos em ativos maduros do Rio Grande do Norte, Estado que concentra uma parcela relevante das operações terrestres da empresa. Em nota, a PetroReconcavo afirmou que as autorizações garantem a continuidade dos projetos de desenvolvimento em andamento e integram o plano de revitalização de seus campos produtores.

Entre as autorizações concedidas estão as licenças prévias para perfuração dos poços PTR-DW-02 e PTR-DW-12, localizados no Campo de Produção Paturi, em Mossoró. Os documentos têm validade até junho de 2028 e junho de 2027, respectivamente. O Idema também autorizou a implantação dos acessos aos dois poços, incluindo uma licença simplificada para uma via de 94,44 metros destinada ao PTR-DW-02.
O pacote de autorizações inclui ainda a viabilidade ambiental para a instalação de duas linhas de surgência, estruturas utilizadas para transportar a produção dos poços até as unidades de processamento. A linha associada ao PTR-DW-02 terá extensão de 1.819,92 metros, enquanto a do PTR-DW-12 alcançará 1.996,71 metros. Ambas serão implantadas dentro da área operacional do campo de Paturi.
Em Mossoró, a companhia também garantiu a renovação da licença de operação de 29 poços petrolíferos localizados no Campo de Produção Livramento. A autorização tem validade até junho de 2029 e assegura a continuidade das atividades em uma das áreas produtivas administradas pela empresa no Estado.
Já em Caraúbas, o Idema concedeu licença de instalação para quatro novos poços no Campo de Produção Cachoeirinha. Segundo a autorização, a produção será direcionada para a Estação Coletora e Compressora (ECC), responsável pelo tratamento e escoamento dos hidrocarbonetos extraídos. A licença permanecerá válida até junho de 2028.
Em 2025, a empresa concluiu a aquisição de participação na unidade de processamento de gás natural de Guamaré, em uma operação de US$ 65 milhões considerada estratégica para ampliar sua integração na cadeia de produção e processamento de hidrocarbonetos no Rio Grande do Norte.
A avaliação do mercado é que a ampliação das atividades pode gerar impactos econômicos relevantes para os municípios produtores. Segundo Marcos Brasil, coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN), o aumento dos investimentos tende a estimular a contratação de mão de obra, a demanda por fornecedores locais e a arrecadação de tributos e royalties.
“Tem uma perspectiva de aumento de produção e, para operar esses postos, vai ter que contratar mais pessoas e consumir mais materiais, o que vai dar mais demanda no comércio da região”, afirmou. O dirigente sindical observa que o setor petrolífero potiguar atravessa um período de retração, com produção média em torno de 32 mil barris por dia, um dos menores níveis registrados nos últimos anos. Apesar disso, ele avalia que o cenário de médio e longo prazo apresenta sinais positivos, impulsionados pelos leilões de áreas exploratórias e pelas perspectivas ligadas à Margem Equatorial. “Está se iniciando um novo ciclo de aumento e de chegada de novos investimentos com esses leilões e também com a margem equatorial. Novos investimentos devem chegar daqui a um ano ou dois”, projetou.
Do lado do órgão ambiental, a interpretação é semelhante. O diretor técnico do Idema, Thales Dantas, afirma que houve aumento consistente na demanda por licenças relacionadas à atividade petrolífera. Segundo ele, o avanço resulta da articulação entre o instituto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Dantas explica que os processos de licenciamento incluem exigências como apresentação de relatórios ambientais, monitoramento de fauna e cumprimento de condicionantes técnicas voltadas à mitigação de impactos. Ele destaca ainda que a modernização dos procedimentos internos permitiu acelerar a análise dos pedidos. “A PetroReconcavo, em termos comparativos, é a segunda com maior número de campos de petróleo onshore no RN. Ela vem ampliando, já pelo segundo ano consecutivo, uma estratégia de avanços. E o licenciamento da parte petrolífera, executado pelo Idema, vem seguindo e quebrando recorde após recorde”, afirmou. Segundo o diretor, a ampliação da equipe técnica, iniciada com a contratação de bolsistas pesquisadores e reforçada recentemente pela chegada de novos servidores concursados, contribuiu para reduzir o tempo de tramitação dos processos e ampliar a capacidade operacional do órgão.