Enquanto o governo federal registra crescimento do trabalho remoto, apenas oito órgãos estaduais adotavam o modelo em 2024 no Rio Grande do Norte. Em Natal, a modalidade foi encerrada após a pandemia de Covid-19.
O trabalho remoto continua sendo uma realidade para uma parcela reduzida dos servidores públicos do Estado. Levantamento da Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado da Administração (Sead), referente a 2024, mostra que apenas 345 servidores estaduais estavam em regime de teletrabalho entre junho de 2023 e junho de 2024.

O número representa 0,64% da força de trabalho ativa do Estado, composta por 53.512 servidores em junho de 2024. Dos 49 órgãos e entidades estaduais que participaram do levantamento, apenas oito adotavam o sistema de teletrabalho, enquanto 41 não possuíam a modalidade.
Os órgãos estaduais que utilizavam o regime eram o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o Gabinete da Vice-Governadoria do Estado do Rio Grande do Norte (GVG), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), a Secretaria de Estado da Administração (Sead), a Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas), o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep), a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (Fapern) e a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz).
Na Prefeitura do Natal, o home office não faz mais parte da rotina dos servidores. A modalidade foi adotada em caráter excepcional durante a pandemia da Covid-19, mas foi revogada após o fim do período de emergência sanitária. Atualmente, não há servidores municipais em regime de teletrabalho.
O cenário contrasta com o observado no governo federal. Dados do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), referentes a maio deste ano, mostram que 107,8 mil servidores federais trabalham em regime remoto, seja de forma integral ou híbrida. O número corresponde a 24% dos 445 mil servidores elegíveis ao teletrabalho e representa um crescimento de aproximadamente 28% em relação a outubro de 2024.
Entre os servidores federais em trabalho remoto, 73,6 mil atuam no modelo híbrido, 33,5 mil trabalham integralmente a distância e outros 527 exercem suas atividades no exterior. O avanço do home office na administração pública federal ocorreu principalmente após a implantação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), criado para substituir o controle eletrônico de ponto pelo acompanhamento do desempenho com base em metas e resultados. Atualmente, 147,8 mil servidores participam do programa.
Entre os órgãos federais com maior proporção de servidores em teletrabalho estão o Ministério da Gestão e da Inovação, com 67% dos servidores nesse regime, o Ministério da Fazenda (56%), a Advocacia-Geral da União (53%) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com 49%.
A professora de Gestão de Carreiras da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gabriela Nunes, avalia que o home office pode ampliar a autonomia e favorecer a produtividade dos servidores, mas aponta desafios para a gestão das equipes, especialmente na comunicação, no engajamento e na manutenção da cultura organizacional.
Embora o trabalho remoto tenha se consolidado em parte da administração pública federal, o tema continua sendo debatido. No ano passado, uma proposta de Reforma Administrativa apresentada no Congresso Nacional previa limitar o teletrabalho a até 20% da força de trabalho de cada órgão e restringir a modalidade a um dia por semana, mas o texto não avançou.