Professores e educadores infantis da rede municipal de ensino de Natal iniciaram greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira 6 e realizam um ato público em frente à Prefeitura, no bairro Cidade Alta. A mobilização, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), começou por volta das 8h. A categoria reivindica recomposição salarial, unificação das carreiras, isonomia salarial, garantia do direito ao planejamento e melhorias nas condições de funcionamento das escolas.
A paralisação havia sido aprovada em assembleia realizada na última segunda-feira 3, após o sindicato afirmar que não houve avanços nas negociações com a gestão municipal. Até o início da greve, os profissionais permaneceram nas unidades de ensino dialogando com colegas, estudantes, pais e responsáveis sobre as reivindicações do movimento.
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Segundo o Sinte-RN, a categoria reivindica um reajuste de 4,6% nos salários, percentual que, de acordo com a entidade, representa uma recomposição imediata diante de perdas salariais acumuladas que chegariam a 60%. O sindicato também cobra a unificação das carreiras, a isonomia salarial, a garantia do direito ao planejamento e melhorias na estrutura e no funcionamento das escolas.
Em março deste ano, os profissionais receberam um reajuste de 5,4%, correspondente ao índice definido pelo Governo Federal para o piso nacional do magistério em 2026. O aumento incidiu sobre o vencimento-base, com efeitos financeiros a partir da folha daquele mês. A legislação municipal também determinou o pagamento parcelado, entre julho e dezembro, dos valores retroativos referentes aos meses de janeiro e fevereiro, além de débitos relacionados ao reajuste de 2025.
Apesar disso, o Sinte-RN afirma que permanecem pendentes perdas salariais acumuladas e diferenças entre os profissionais da rede. Segundo a entidade, atualmente coexistem três legislações distintas que regulamentam as carreiras do magistério municipal, o que, de acordo com o sindicato, gera desigualdades salariais e de direitos entre servidores que exercem funções semelhantes.
Um dos coordenadores-gerais do Sinte-RN, Bruno Vital, afirmou que a decisão pela greve foi tomada após sucessivas tentativas de negociação com a Prefeitura.
“Depois de vários momentos de debate, de aguardar da Prefeitura uma resposta sobre a situação e de não ter nenhuma resposta que resolva os problemas estruturais que a rede municipal vive, a categoria de Natal decidiu pela greve”, declarou.
O dirigente também afirmou que os professores da capital recebem os menores salários entre as redes públicas dos dez municípios mais populosos do Rio Grande do Norte.
“A categoria decidiu que não dá mais para sustentar essa situação e, por isso, fez a opção pela greve”, afirmou Bruno Vital.
Além da pauta salarial, o sindicato denuncia falta de professores, problemas de manutenção e ausência de materiais básicos nas unidades de ensino. Segundo Bruno Vital, algumas escolas não conseguiram iniciar determinadas turmas por falta de docentes, enquanto outras chegaram a suspender atividades devido à falta de material de limpeza.
De acordo com o Sinte-RN, a Secretaria Municipal de Educação (SME) foi oficialmente comunicada sobre a paralisação por meio de um ofício protocolado na terça-feira 4. O documento informa que a possibilidade de greve já havia sido comunicada à Prefeitura em fevereiro, quando a categoria entrou em estado de greve.
O ofício também relembra que, em assembleia realizada em 16 de julho, os trabalhadores decidiram avaliar a deflagração da greve em 3 de agosto caso não houvesse respostas concretas da gestão municipal. Segundo o sindicato, uma audiência realizada em 27 de julho não apresentou propostas para atender às reivindicações da categoria. A entidade também afirma que uma reunião prevista com a Procuradoria-Geral do Município (PGM) para discutir a isonomia salarial não ocorreu.
No documento encaminhado à SME, o sindicato solicita a retomada imediata das negociações, a realização de uma audiência com a gestão municipal e o funcionamento da Mesa Permanente de Negociação.
SME diz que mantém diálogo
Antes da deflagração da greve, a Secretaria Municipal de Educação informou, em nota, que mantém um diálogo “permanente e respeitoso” com o Sinte-RN e lembrou que recebeu representantes da entidade em 27 de julho para discutir a pauta da categoria.
A pasta afirmou que busca conduzir as negociações com “responsabilidade, transparência e compromisso com a valorização dos profissionais da educação”, observando os limites legais, orçamentários e financeiros do Município.
Na ocasião, a secretaria informou que somente se manifestaria oficialmente sobre a greve após ser comunicada formalmente pelo sindicato e reiterou que permanece aberta às negociações, defendendo o diálogo como instrumento para construção de soluções que preservem tanto o direito à negociação quanto a qualidade da educação pública.