Integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizaram uma mobilização em Natal, nesta terça-feira 4, para cobrar da Prefeitura a implantação de projetos de moradia popular.
O ato fez parte do Dia Nacional de Luta por Moradia e percorreu ruas da capital potiguar, além de ocupar dependências da Secretaria Municipal de Habitação, Regularização Fundiária e Projetos Estruturantes (Seharpe), na Cidade Alta.

Segundo o MLB, a manifestação teve como objetivo reivindicar o direito à moradia digna para famílias de baixa renda, especialmente aquelas que comprometem parte significativa do orçamento com o pagamento de aluguel.
Em publicação no Instagram, o movimento afirmou que o acesso a uma residência permanece como um privilégio de poucos, apesar de ser um direito social.
“Hoje o MLB ocupou as ruas da cidade, a Prefeitura e a Seharpe para reivindicar o direito básico para o nosso povo: o direito à moradia”, declarou o movimento.
A sigla também defendeu que o poder público assuma o compromisso de desenvolver projetos habitacionais populares, além de assegurar o acesso das comunidades a serviços públicos de saúde e educação.
Após a mobilização, representantes do MLB foram recebidos pela equipe da Seharpe. De acordo com o movimento, a audiência foi obtida “através da luta” e permitiu a apresentação das reivindicações das famílias. O grupo afirmou que, agora, aguarda respostas concretas da Prefeitura às demandas apresentadas.
Em nota, a Seharpe confirmou que recebeu os representantes do MLB nesta terça-feira, após o movimento solicitar uma audiência para expor a pauta relacionada ao Dia Nacional de Mobilização. A secretaria informou que o encontro possibilitou à gestão municipal conhecer os projetos defendidos pela organização.
A pasta destacou ainda que o atendimento ocorreu dentro da política de diálogo da Prefeitura com os diferentes segmentos da sociedade. “A Seharpe, seguindo a disposição de toda a Prefeitura de plena abertura ao diálogo com os segmentos da sociedade, pôde conhecer projetos defendidos pelo movimento, em reunião transcorrida de maneira cordial e ordeira”, afirmou.
CEI investigou movimento
A nota da Prefeitura não detalhou quais projetos foram apresentados pelo MLB nem informou se alguma medida, prazo ou novo encontro ficou definido durante a audiência.
O movimento, por sua vez, declarou que continuará aguardando um posicionamento do poder público sobre a construção de iniciativas destinadas à habitação popular em Natal.
No ano passado, o MLB foi investigado em uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Natal por realizar ocupações e invasões de imóveis na capital potiguar. O relatório final da investigação foi aprovado pela Câmara em agosto de 2025, por 17 votos a 4.
O documento atribui a lideranças do MLB indícios de crimes como esbulho possessório, extorsão, associação criminosa, constrangimento ilegal e dano qualificado a patrimônio público e privado.
O texto foi elaborado após 120 dias de investigação, que incluíram oitivas de representantes dos movimentos de moradia, secretários municipais e representantes do setor supermercadista.
Entre os indiciamentos solicitados, estiveram os de Marcos Antônio Ribeiro, Bianca Soares Evangelista e Kívia Moreira Nunes, integrantes da direção do MLB.
O relatório acusa o movimento de promover invasões de imóveis públicos e privados, usar ameaças e coação para obter cestas básicas, além de atuar em campanhas eleitorais de seus próprios líderes, o que é proibido pela legislação eleitoral.
Em nota após a aprovação do relatório, o MLB afirmou que a investigação buscava “perseguir opositores e criminalizar a luta legítima de um movimento social popular e de esquerda que atua em defesa do direito à moradia”.
“As acusações contra o MLB são caluniosas”, disse o movimento, acrescentando que “os movimentos sociais criminalizados pela CEI cumprem papéis essenciais que o poder público se mostra incapaz de cumprir: lutar por moradia digna, acesso à cidade e apoio às mulheres vítimas de violência.”
No texto, o movimento conclui criticando o relatório por não apresentar, segundo eles, contribuições para sanar o déficit de moradia em Natal.