Uma poça que não seca. É assim na Rua Santa Inês, no bairro Pajuçara, Zona Norte de Natal, onde quem mora no Residencial Parque Nova Aurora convive com alagamento permanente e com o acúmulo de água exalando mau cheiro nas imediações do condomínio. A poça atrapalha a circulação de veículos e de pedestres, e continua ali mesmo nas semanas em que não cai uma gota. O residencial fica nas imediações da Avenida João Medeiros Filho, uma das principais vias da região.
Quando chove forte, a situação se agrava. Francinaldo Nascimento, que mora no residencial, conta que a água entra na área do condomínio e deixa os vizinhos presos lá dentro.

“Os moradores nem de automóveis saem e os pedestres saem pela casa do lixo”, relatou.
Segundo ele, na quadra chuvosa o nível sobe a ponto de chegar aos blocos. Para tentar dar conta, os próprios vizinhos já puxaram parte da água com uma bomba — recurso que, avalia Francinaldo, alivia mas não mexe na raiz do problema.
Esgoto na conta
A chuva é só uma parte da história. Os moradores apontam também falha no sistema de coleta de esgoto: Francinaldo diz que a tubulação entupiu depois de uma interligação feita ali perto, e que a maior parte do que se acumula na rua vem de esgoto.
“A linha está obstruída e eles fizeram interligação. Toda essa água aí, a maior parte, é água de esgoto”, afirmou. Perguntado sobre a origem do material, foi direto: “água de fossa”.
A água parada ali tem cor esverdeada e exala cheiro forte, sentido a metros de distância. Os moradores reclamam ainda da nuvem de mosquitos que se formou em volta e temem o que a convivência diária com esgoto e água parada pode cobrar da saúde de quem mora no conjunto.
O que diz a Caern
Francinaldo cobra que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) desobstrua a rede. Na avaliação dele, esse serviço deveria ter sido feito antes de as residências serem ligadas ao sistema.
Procurada, a Caern respondeu por meio de nota enviada a O Correio de Hoje. A companhia informou que “não possui nenhuma demanda relacionada à extravasamento de esgoto no trecho”.
E ofereceu outra explicação para o problema: “possivelmente, o alagamento da região seja causado por lançamento de água servida em via ou acúmulo de água de chuva”. Nesse caso, diz a empresa, os moradores devem procurar a Prefeitura do Natal para que o município atue contra as ligações clandestinas.
Há ainda outro problema apontado pelos moradores: parte da Rua Santa Inês continua sem pavimentação.
“Está difícil, a gente está até preocupado com doença”, afirmou Francinaldo.
O caso foi publicado na edição desta quinta-feira 3 de O Correio de Hoje: Alagamento permanente preocupa moradores da Zona Norte de Natal.