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Cinema

Festival de Veneza abre a 83ª edição com 21 filmes na disputa e apenas duas mulheres na direção

Brasil aparece com "Retorno a Buenos Aires"; vencedores do Leão de Ouro saem em 12 de setembro
Agora RN
03/09/2026 | 22:23

Desde esta quarta-feira 2, é para a Itália que o cinema mundial olha. Abriu a 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza, com 21 concorrentes ao Leão de Ouro, gente famosa desfilando no tapete vermelho e uma seleção onde política, guerra, jornalismo e personagens da cultura pop convivem com ficção de orçamento alto.

A mostra competitiva vai até 12 de setembro, data em que os premiados são finalmente anunciados ao público. Quem preside o júri é a atriz e diretora norte-americana Maggie Gyllenhaal. Completam o grupo Kaouther Ben Hania, Daniel Blumberg, Francesco Casetti, Xavier Giannoli, Shahrbanoo Sadat e Johnnie To.

Cena do filme Bunker, com ator em ambiente de paredes vermelhas
"Bunker", de Florian Zeller, coloca Javier Bardem e Penélope Cruz nos papéis de um casal em crise (Foto: Divulgação)

As estrelas

Os grandes estúdios de Hollywood mandaram menos gente este ano, e ainda assim Veneza continua puxando nome de peso. Robert Pattinson, Javier Bardem, Penélope Cruz, Laura Dern, Guy Pearce e Dakota Johnson figuram na lista de esperados. George Clooney recebe homenagem ao longo do evento.

Outra homenageada é Ellen Burstyn — a atriz de “O Exorcista” e de “Réquiem para um Sonho” leva um Leão de Ouro pelo conjunto do que fez na carreira.

Quem disputa o prêmio

Entre os concorrentes, “Bunker”, de Florian Zeller, coloca Javier Bardem e Penélope Cruz como um casal em crise. O francês, que assinou “Meu Pai”, corre pelo prêmio principal ao lado de cineastas como Danny Boyle, Hirokazu Kore-eda, Martin McDonagh, Nanni Moretti, Werner Herzog e Lee Chang-dong.

O jornalismo virou matéria-prima de duas produções. Em “Primetime”, de Lance Oppenheim, Robert Pattinson interpreta Chris Hansen, jornalista que ficou conhecido pelo programa “To Catch a Predator”. Danny Boyle, por sua vez, assina “Ink”, que se debruça sobre o magnata da mídia Rupert Murdoch.

Outra fatia relevante da seleção é ocupada pela geopolítica. Concorrente ao Leão de Ouro, “Naza” tem direção dividida entre o jornalista investigativo Yuval Abraham e a cineasta Rachel Szor, e trata da morte de civis em Gaza. Há mais títulos na edição que passam pelo conflito entre israelenses e palestinos.

O documentário ganhou espaço dos dois lados, dentro e fora da competição. Está prevista a exibição de “Musk”, que se dedica ao bilionário Elon Musk. E, longe da disputa principal, “Oasis: Don’t Look Back in Anger” — dirigido por Steven Knight, o criador de “Peaky Blinders” — acompanha o retorno da banda britânica aos palcos em 2025.

O Oasis é também um dos nomes capazes de puxar atenção para além do circuito habitual do cinema. A programação aposta justamente nessa mistura entre cineasta consagrado, figura da cultura pop e assunto que atravessa o noticiário internacional.

Só duas mulheres na direção

Entre quem dirige os concorrentes, porém, quase não há mulher. De 21 títulos na briga pelo Leão de Ouro, só dois foram dirigidos por elas — e num desses a direção é repartida com um homem. Trata-se de “Woman Unknown (Kvinde Ukendt)”, da dinamarquesa May el-Toukhy, e de “Naza”, assinado por Yuval Abraham e Rachel Szor.

Alberto Barbera, diretor artístico do festival, explicou o desequilíbrio pela quantidade e pela avaliação do que foi inscrito: menos de um quarto dos filmes inscritos teria vindo de diretoras. A explicação abriu uma discussão sobre representatividade dentro da principal mostra do evento.

O Brasil na disputa

O País entra na disputa com “Retorno a Buenos Aires”, assinado pelo ítalo-chileno Marco Bechis. Coprodução Brasil-Itália, é a única presença brasileira entre os títulos citados nesta edição.

Na história, um médico italiano volta à Argentina para depor no julgamento dos ex-militares que o sequestraram e o submeteram a trabalho escravo durante a ditadura. Ao pisar de novo no país, ele tem de confrontar o que significa ter escapado com vida. Boa parte da filmagem se deu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e o elenco reúne os brasileiros Paula Cohen e Eduardo Hoy.

O restante da lista

Completam os concorrentes “Company”, de Casey Affleck; “A Bit of Light”, de Ali Asgari; “Un Bon Petit Soldat”, de Stéphane Brizé; “Il Fuoco Che Ti Porti Dentro”, de Edoardo de Angelis; “A Place to Heal”, de Cédric Kahn; “Look Back”, de Hirokazu Kore-eda; “Possible Love”, de Lee Chang-dong; “Wild Horse Nine”, de Martin McDonagh; “Succederà Questa Notte”, de Nanni Moretti; e “Mr. Nelson, Did You Kill People?”, de Shinya Tsukamoto.

Com a cerimônia de entrega marcada para 12 de setembro, Veneza cumpre outra vez o papel que construiu em mais de oitenta anos: funcionar como vitrine dos filmes que vão rodar os grandes festivais, as premiações e as salas nos meses seguintes. Até lá, o Leão de Ouro põe lado a lado histórias de guerra, ditadura, jornalismo, relação pessoal e personagens que ajudam a entender o mundo fora da tela.

O festival foi noticiado na edição desta quinta-feira 3 de O Correio de Hoje: Festival de Veneza abre 83ª edição.