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Educação

Professores de Natal anunciam greve por tempo indeterminado

Categoria cobra reajuste de 4,6%, isonomia entre carreiras e melhores condições nas escolas; SME diz que aguarda comunicação formal e defende continuidade do diálogo
Redação
04/08/2026 | 05:34

Professores e educadores infantis da rede municipal de Natal aprovaram, nesta segunda-feira 3, a deflagração de uma greve por tempo indeterminado. A paralisação começará na quinta-feira 6, quando a categoria realizará um ato público em frente à sede da Prefeitura, a partir das 8h.

A decisão foi tomada durante assembleia convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN). Até o início da greve, os profissionais deverão permanecer nas escolas e conversar com colegas, estudantes, pais e responsáveis sobre os motivos do movimento.

Greve professores
Categoria durante assembleia geral do Sinte-RN realizada nesta segunda 3 - Foto: Sinte-RN

A categoria reivindica um reajuste de 4,6% nos salários, a unificação das carreiras, isonomia salarial, a garantia do direito ao planejamento e melhorias nas condições estruturais e de funcionamento das unidades de ensino. Segundo o sindicato, o percentual reivindicado representa uma recomposição imediata diante de perdas salariais acumuladas que chegariam a 60%.

A categoria recebeu em março deste ano reajuste de 5,4%, correspondente ao percentual definido pelo Governo Federal para o piso nacional do magistério em 2026. O aumento incidiu sobre o vencimento-base, com efeitos financeiros a partir da folha daquele mês. A lei municipal também determinou o pagamento parcelado, entre julho e dezembro, dos valores retroativos de janeiro e fevereiro, além de débitos relacionados ao reajuste de 2025.

Apesar da medida, o Sinte-RN afirma que permanecem pendentes perdas históricas e reivindicações relacionadas às diferenças existentes entre os profissionais da rede. De acordo com a entidade, três legislações distintas regem as carreiras do magistério municipal, provocando desigualdades salariais e de direitos entre trabalhadores que exercem funções semelhantes.

Um dos coordenadores-gerais do Sinte-RN, professor Bruno Vital, afirmou que a greve foi aprovada depois de sucessivas discussões e da ausência de uma resposta da Prefeitura capaz de solucionar os problemas apresentados pela categoria.

“Depois de vários momentos de debate, de aguardar da Prefeitura uma resposta sobre a situação e de não ter nenhuma resposta que resolva os problemas estruturais que a rede municipal vive, a categoria de Natal decidiu pela greve”, declarou.

O coordenador afirmou que os profissionais de Natal recebem os menores salários entre as redes públicas dos 10 municípios mais populosos do Rio Grande do Norte. “A categoria decidiu que não dá mais para sustentar essa situação e, por isso, fez a opção pela greve”, afirmou Bruno Vital.

Além da recomposição salarial e da isonomia, o sindicato cobra a garantia do direito ao planejamento para alguns professores. A entidade também denuncia falta de profissionais, de manutenção e de materiais básicos nas unidades de ensino.

Vital afirmou que algumas escolas não conseguiram iniciar determinadas turmas devido à falta de professores. Segundo ele, outras chegaram a suspender atividades por não disporem de material de limpeza.

SME aguarda comunicação

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Natal (SME) afirmou que mantém um diálogo “permanente e respeitoso” com o Sinte-RN e que recebeu representantes da entidade em 27 de julho para discutir a pauta da categoria.

A pasta declarou que, desde o início das tratativas, procura conduzir as negociações com “responsabilidade, transparência e compromisso com a valorização dos profissionais da educação”, considerando os limites legais, orçamentários e financeiros do Município.

Sobre a decisão tomada na assembleia, a SME informou que somente se manifestará oficialmente depois de ser comunicada formalmente pelo sindicato sobre a deflagração da greve.

A secretaria acrescentou que permanece aberta às negociações e reafirmou o diálogo como instrumento para a construção de soluções. Segundo a pasta, o processo deverá preservar o direito à negociação e o compromisso da administração municipal com a qualidade da educação pública e com os estudantes atendidos pela rede.