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Educação

Especialista explica quando vale a pena mudar o filho de escola

Psicólogo orienta pais a avaliar comportamento, adaptação, bullying e diálogo com a instituição antes de decidir pela transferência
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 16:29

A decisão de mudar uma criança ou adolescente de escola durante o ano letivo deve ser baseada em mudanças de comportamento, dificuldades de adaptação ao ambiente escolar e diálogo entre a família e a instituição de ensino. A orientação é do psicólogo Hilton Gomes acerca dos cuidados que os pais devem ter antes de optar pela transferência.

Segundo o psicólogo, a mudança só deve ser considerada depois que a família compreender os motivos que levam o estudante a rejeitar a escola. Entre os principais sinais estão alterações no comportamento, como dificuldade para dormir, irritabilidade, queixas frequentes sobre professores, colegas ou sobre a rotina escolar, além da sensação de não pertencimento ao ambiente.

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Psicólogo Hilton Gomes pede que a troca de escola seja precedida por diálogo na família - Foto: reprodução

Hilton explicou que crianças e adolescentes que não conseguem estabelecer vínculos com professores, colegas ou com a própria escola podem apresentar dificuldades para permanecer naquele espaço. Nesses casos, a transferência pode ser uma alternativa, desde que a decisão seja tomada após uma avaliação cuidadosa.

Antes da mudança, ele recomenda que os pais conversem com a coordenação pedagógica, professores e, quando houver, com o psicólogo da instituição. O objetivo é compreender como o estudante se comporta na escola e avaliar se as dificuldades podem ser resolvidas sem a necessidade de transferência.

Outro fator que pode influenciar a decisão, segundo o especialista, é a incompatibilidade entre a filosofia da escola e os valores da família. Para Hilton, algumas instituições adotam metodologias ou regras que nem sempre correspondem às expectativas dos responsáveis, situação que também deve ser analisada antes da matrícula em outra unidade.

O psicólogo destacou que é comum adolescentes manifestarem maior insatisfação com a escola, principalmente a partir do Ensino Fundamental II. Nessa fase, explicou, aumentam as cobranças acadêmicas e as mudanças na dinâmica escolar, o que pode provocar reclamações frequentes.

Ele alertou, porém, que nem toda reclamação significa que a mudança seja necessária. Segundo Hilton, alguns adolescentes utilizam estratégias para evitar cobranças ou dificuldades relacionadas aos estudos, razão pela qual a família deve investigar cada caso antes de tomar uma decisão.

O especialista também defendeu que a opinião do estudante seja considerada no processo. “Qual é a melhor escola para o filho? É aquela escola que faz mais sentido para o estudante”, afirmou.

De acordo com ele, a adaptação ao ambiente escolar envolve fatores como a relação com professores, amizades e a sensação de segurança para aprender. Por isso, alunos de uma mesma família podem ter percepções diferentes sobre uma eventual mudança de escola.

Outro tema abordado foi o bullying, apontado pelo psicólogo como uma das principais causas do desejo de trocar de instituição. Hilton afirmou que situações de violência entre estudantes podem provocar afastamento emocional da escola e comprometer o processo de aprendizagem.

Como exemplo, ele citou o trabalho desenvolvido no Complexo de Ensino Henrique Castriciano, onde atua, que mantém ações permanentes de prevenção ao bullying. Entre elas está o Projeto Anjo Amigo, no qual estudantes veteranos acompanham e auxiliam alunos recém-chegados durante o período de adaptação.

Além das medidas adotadas pelas escolas, Hilton defendeu que os pais orientem os filhos a comunicar episódios de bullying aos responsáveis e aos professores, mas também a se posicionarem diante das agressões. “Ensinar o seu filho a se posicionar. Ensinar o seu filho a se posicionar com amorosidade”, disse.

Para o psicólogo, a mudança de escola deve ser a consequência de uma análise conjunta entre família, estudante e instituição de ensino, levando em consideração o bem-estar emocional, o desenvolvimento acadêmico e a capacidade do aluno de estabelecer vínculos e se sentir pertencente ao ambiente escolar.