BUSCAR
BUSCAR
Moana

Novo “Moana” quer caminhar ao lado do original

Diretor afirma que live-action preserva a essência da animação, aposta em novidades e reforça a representação da cultura polinésia
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 17:09

A Disney levou aos cinemas nesta semana a versão em live-action de “Moana”, adaptação da animação lançada em 2016 que se tornou um dos maiores sucessos recentes do estúdio. Dirigido por Thomas Kail, o longa reconta a jornada da jovem navegadora polinésia com elenco formado por atores reais, mantendo a essência da história original e incorporando algumas novidades à narrativa.

A principal novidade do elenco é a estreia da australiana Catherine Laga’aia como Moana. Dwayne Johnson retorna ao universo da personagem, desta vez interpretando em carne e osso o semideus Maui, papel que já havia dublado na animação. Também participam da produção novos integrantes responsáveis por ampliar a representação da cultura das ilhas do Pacífico.

MOANA
Atriz Catherine Laga’aia estreia como Moana na versão em filme live-action da Disney - Foto: divulgação

Segundo Thomas Kail, o principal desafio foi adaptar uma história lançada há apenas uma década, ainda bastante presente na memória do público. Diferentemente de outros remakes da Disney, como A Bela e a Fera, Alice no País das Maravilhas, Branca de Neve e A Pequena Sereia, a nova versão de Moana revisita um filme relativamente recente.

Para o diretor, a produção buscou preservar aquilo que tornou a animação popular, sem abrir mão de novas abordagens. “Sentimos que queríamos confiar no que já funcionava, mas também não ter medo de tentar coisas novas”, afirmou. Segundo ele, o longa apresenta cenas inéditas, pequenas mudanças em sequências já conhecidas e uma abordagem diferente para uma das músicas, embora tenha evitado revelar detalhes. “Tentamos ser abertos para servir à história, porque amamos esses personagens e amamos o caminho que ela percorre no roteiro original. Queríamos honrar isso e, ao mesmo tempo, encontrar formas de injetar surpresas agradáveis para o público”, disse.

Questionado sobre a responsabilidade de revisitar um clássico contemporâneo da Disney, Kail afirmou que prefere enxergar o projeto como uma missão de respeito ao material original. “Não sei se sinto pressão, mas sim uma responsabilidade de fazer bem”, declarou. O cineasta comparou o processo às remontagens de espetáculos teatrais, experiência adquirida ao longo da carreira. “Às vezes você faz um revival, uma versão de algo que já existia, e aquele material original pode ser algo muito querido pelas pessoas, como é o caso deste. Você só quer fazer justiça [ao original], fazer certo”, afirmou.

Segundo ele, o objetivo nunca foi substituir a animação. “Esperamos fazer algo que possa ficar ao lado do original, não substituí-lo. O original é lindo. Queremos algo que seja um companheiro dele”, afirmou.

Além da fidelidade à história, outro ponto central da produção foi a representação da cultura polinésia, elemento que estrutura toda a narrativa de Moana. Thomas Kail explicou que buscou reunir profissionais ligados às ilhas do Pacífico em diferentes áreas da equipe para garantir autenticidade ao projeto.

“Foi uma das nossas preocupações mais constantes: como fazer com que esta história refletisse a engenhosidade, a alma, o espírito e a integridade da cultura das ilhas do Pacífico.”

O diretor ressaltou que essa não é sua cultura e, por isso, considerou fundamental ampliar a participação de profissionais polinésios.

“Não é a minha cultura. Eu queria garantir que muitos dos nossos contadores de histórias, chefes de departamento e artesãos, tivessem a vivência necessária para assegurar que aquilo que buscávamos tivesse integridade e autenticidade”, explicou.

Entre as medidas adotadas estão a participação de um conselho cultural criado pela Disney, além da colaboração de coreógrafos, figurinistas, artesãos e especialistas em navegação tradicional das ilhas do Pacífico.

A trilha sonora também recebeu atenção especial. Com experiência em musicais da Broadway, Thomas Kail afirmou que as canções continuam desempenhando papel essencial na narrativa.

“Moana é um musical”, afirmou. “O coração da história está presente tanto nas cenas quanto nas músicas, e a música faz o personagem avançar e nos permite conhecê-lo mais profundamente.”

Para o diretor, esse é um dos motivos que explicam a permanência da animação no imaginário do público.

“Acho que é uma das razões pelas quais a Moana de 2016 vive conosco há tanto tempo: a música vem junto. Você talvez tenha visto o filme uma, duas, cinco vezes, mas provavelmente ouviu a música milhares de vezes. Ela se torna parte do seu sangue”, disse.