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Cinema

Filme “O Convite” usa humor para falar de casamentos

Em cartaz nos cinemas, longa transforma um jantar entre casais em reflexão sobre desejo, intimidade e frustrações da vida a dois
Por O Correio de Hoje
13/07/2026 | 17:04

Olivia Wilde retorna aos cinemas como diretora e atriz com “O Convite”, adaptação em língua inglesa do filme espanhol As Pessoas do Andar de Cima (2020). O longa, que estreou nos cinemas após passar pelo Festival de Sundance, utiliza uma situação inusitada envolvendo dois casais para discutir o desgaste dos relacionamentos, frustrações pessoais e as dificuldades de manter a intimidade ao longo dos anos.

A trama acompanha Angela, interpretada por Olivia Wilde, e Joe, vivido por Seth Rogen, um casal que enfrenta conflitos constantes em seu casamento. Aproveitando a ausência da filha adolescente, eles convidam os vizinhos Piña, personagem de Penélope Cruz, e Hawk, interpretado por Edward Norton, para um jantar. A noite toma outro rumo quando os convidados revelam que participam de orgias e fazem um convite inesperado aos anfitriões.

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Olivia Wilde dirige e estrela “O Convite”, comédia dramática sobre crises conjugais e intimidade - Foto: Reprodução

Embora a proposta pareça conduzir a narrativa para uma comédia sexual, o filme utiliza o humor para abordar temas mais profundos. As conversas entre os personagens expõem ressentimentos acumulados, diferenças de personalidade e frustrações que se desenvolveram ao longo do casamento. Joe transfere para a vida doméstica o descontentamento com a carreira de professor de música, enquanto Angela deixou de lado projetos pessoais em busca de estabilidade na relação.

Segundo Olivia Wilde, a intenção foi construir uma narrativa que alternasse momentos de desconforto e humor antes de conduzir o público para questões mais sensíveis. “Criamos a partir da comédia de erros, que é como um trem descarrilhado. Queríamos que o espectador se sentisse tão fora de controle quanto os personagens, para depois ser levado a um lugar calmo”, afirmou durante entrevista ao programa do jornalista e DJ Zane Lowe.

Ao longo da história, a proposta sexual apresentada pelos vizinhos funciona como ponto de partida para discutir temas como a perda da intimidade, os sacrifícios feitos em nome da estabilidade conjugal e a dificuldade de expressar desejos e insatisfações. Para Wilde, o filme também dialoga com mudanças na forma como as novas gerações enxergam casamento e família.

“É bom ver pessoas que simplesmente decidem não casar, não ter filhos, ou não seguir esse roteiro que, por meio do cristianismo ou da Disney, fomos incentivados a seguir por tanto tempo. O filme encoraja a honestidade radical, que passa por não culpar ninguém pela própria infelicidade”, disse a diretora.

A versão dirigida por Wilde também amplia a participação de Hawk, personagem de Edward Norton. No longa, o passado traumático do personagem explica parte de sua postura diante da sexualidade. Segundo a diretora, essa construção foi proposta pelo próprio ator e incorporada ao roteiro para ajudar na mudança gradual de tom da narrativa.

Além de dirigir, Wilde integra o elenco principal ao lado de Seth Rogen, em seu primeiro papel de destaque após o sucesso da série O Estúdio, criada e estrelada por ele. Penélope Cruz e Edward Norton completam o quarteto central da produção.

Após a exibição no Festival de Sundance, O Convite teve sua distribuição adquirida pela A24. Para Wilde, o lançamento nos cinemas reforça a importância da experiência coletiva proporcionada pelas salas de exibição.

“É a ferramenta mais poderosa de empatia que temos. O cinema dá a capacidade de incorporar a vida de alguém, nos fazendo sentir visceralmente conectados e de forma coletiva”, afirmou.

A diretora comparou ainda o papel do cinema ao dos grandes eventos esportivos como forma de reunir pessoas em torno de uma experiência compartilhada.

“Como os esportes, quando somos reunidos para aproveitar algo e ter emoções juntos, lembramos porque não estamos desistindo desse experimento da sociedade. É muito fácil perder a fé lendo as notícias hoje em dia. Como pessoas que fazem filmes, nossa pequena contribuição é contar histórias que façam as pessoas se sentirem menos sozinhas”, concluiu.

Com classificação indicativa de 16 anos, “O Convite” combina humor, drama e tensão para explorar as fragilidades dos relacionamentos contemporâneos, utilizando um jantar aparentemente comum para discutir temas como desejo, comunicação, frustração e convivência.