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Apostas

Copa do Mundo eleva número de apostadores

Estudo da Klavi mostra aumento nos depósitos em plataformas de apostas esportivas durante o torneio e acende alerta sobre comportamento de risco
Por O Correio de Hoje
02/07/2026 | 16:11

A Copa do Mundo impulsionou o mercado de apostas esportivas no Brasil. Levantamento da fintech Klavi, com base em dados do Open Finance, do Banco Central, aponta que 34,8% dos brasileiros realizaram depósitos em plataformas de apostas desde o início do torneio. Em maio, antes da competição, esse percentual era de 11%.

O estudo foi elaborado a partir de uma amostra de 1,2 milhão de pessoas e indica que, além do aumento no número de apostadores, também houve crescimento no valor destinado às bets. No domingo 28, por exemplo, o depósito médio por usuário chegou a R$ 272, acima da média de R$ 188 registrada antes do início da Copa.

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Brasileiros estão gastando cada vez mais dinheiro com apostas online - Foto: josé aldenir

Desde o começo da competição, o valor médio diário das apostas tem permanecido acima desse patamar. O maior volume foi registrado em 14 de junho, um dia após a partida da seleção brasileira contra o Marrocos, quando a média depositada por apostador alcançou R$ 524. O levantamento considera apenas transferências para plataformas de apostas legalizadas.

Os dados também mostram que mais de 60% dos depósitos são realizados após as 18h, período que concentra a maior parte das partidas da Copa do Mundo. Apenas 10% das transferências ocorrem pela manhã, quando não há jogos programados.

Segundo a Klavi, uma pequena parcela dos usuários concentra a maior parte dos gastos nas plataformas. Os 10% de apostadores que mais fizeram depósitos movimentaram, em média, um volume financeiro 20 vezes superior ao registrado pelos 90% restantes.

Para Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Ambulatório de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, o período noturno costuma favorecer comportamentos de maior risco entre pessoas com problemas relacionados ao jogo. “É quando as pessoas não estão sob a vigilância do cônjuge e têm menor contenção”, afirmou. De acordo com o especialista, o constrangimento diante de familiares e amigos é um dos fatores que levam muitos jogadores a procurar tratamento.

O levantamento também destaca que diversos países adotam regras mais rígidas para a publicidade de apostas. A Austrália proíbe anúncios de bets durante transmissões esportivas ao vivo. No Reino Unido, a propaganda só é permitida após as 21h, enquanto, em Portugal, a veiculação começa às 22h30. Holanda e Bélgica, por sua vez, vetam o uso de figuras públicas nas campanhas publicitárias.

No Brasil, a regulamentação impõe restrições principalmente ao formato das propagandas. As empresas são obrigadas a incluir mensagens de alerta sobre os riscos do jogo, e o Ministério da Fazenda é responsável pela fiscalização do setor, podendo aplicar multas de até R$ 2 bilhões em caso de irregularidades.