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Indústria automotiva

Greve na Hyundai mira uso de robôs

Sindicato sul-coreano cobra participação nas decisões sobre automação e demonstra preocupação com impactos da inteligência artificial no emprego
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 14:20

Os trabalhadores da Hyundai na Coreia do Sul aprovaram uma greve em resposta aos planos da montadora de ampliar o uso de robôs humanoides nas linhas de produção. A decisão eleva a tensão entre a empresa e o sindicato em um momento em que a indústria automobilística acelera a adoção de tecnologias de inteligência artificial e automação para aumentar a produtividade.

Segundo reportagem do Financial Times, 87% dos cerca de 40 mil integrantes da seção da Hyundai no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia votaram a favor da paralisação. O resultado autoriza a entidade a iniciar um movimento grevista caso as negociações com a empresa não avancem.

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Funcionários aprovam paralisação após montadora anunciar robôs humanoides - Foto: reprodução / internet

O principal ponto de divergência é a implementação do Atlas, robô humanoide desenvolvido pela Boston Dynamics, subsidiária da Hyundai. A montadora anunciou que pretende utilizar a tecnologia em fábricas nos Estados Unidos, iniciativa que despertou preocupações entre os trabalhadores sobre os impactos da automação no ambiente de trabalho.

O sindicato reivindica participação nas decisões relacionadas à introdução de inteligência artificial e robôs nas unidades industriais. Em janeiro, após a divulgação do projeto, a entidade afirmou que “nenhum robô com nova tecnologia poderá entrar no ambiente de trabalho” sem que haja acordo prévio entre empresa e empregados.

Além das preocupações com possíveis impactos sobre o emprego, representantes sindicais também apontam questões relacionadas à segurança operacional. Segundo um integrante da entidade ouvido pelo Financial Times, a crescente sofisticação dos robôs humanoides, demonstrada em vídeos e apresentações recentes, tem aumentado a apreensão dos trabalhadores em relação ao futuro da força de trabalho na indústria automotiva.

A disputa ocorre em um contexto de aceleração dos investimentos em automação pelas grandes montadoras globais. A BMW confirmou que começará a utilizar, a partir de meados deste ano, dois robôs humanoides do modelo Aeon, desenvolvidos pela Hexagon Robotics, em suas linhas de montagem na Europa, reforçando uma tendência de maior integração entre robótica avançada e manufatura.

Além das discussões sobre automação, o sindicato da Hyundai apresentou uma pauta econômica para a campanha salarial deste ano. Entre as reivindicações estão o pagamento de bônus equivalente a 30% do lucro líquido da empresa — estimado em 42 milhões de wons (US$ 27.150) para cada um dos 73 mil empregados —, aumento da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos e reajustes no salário-base mensal.

O impasse evidencia um dos principais desafios enfrentados pela indústria automobilística global: equilibrar os ganhos de eficiência proporcionados pela automação com as demandas dos trabalhadores por segurança, participação nas decisões tecnológicas e preservação das condições de emprego em um setor que passa por rápida transformação.