BUSCAR
BUSCAR
Streaming

“Sugar” aposta em diversidade cultural

Novos episódios levam a investigação de John Sugar para comunidades de imigrantes e exploram regiões menos retratadas da cidade americana
Por O Correio de Hoje
26/06/2026 | 13:56

A segunda temporada de “Sugar”, que estreou na Apple TV+ com lançamento semanal de episódios, amplia o universo apresentado no primeiro ano da série ao deslocar a investigação do detetive particular John Sugar, interpretado por Colin Farrell, dos bairros mais conhecidos de Los Angeles para regiões marcadas pela diversidade cultural. Inspirada na tradição dos filmes noir ambientados na cidade, a produção mantém a homenagem ao cinema clássico, mas passa a explorar comunidades de imigrantes e novas histórias, tendo como pano de fundo bairros como Koreatown e Downtown.

Depois de investigar o desaparecimento da neta de um poderoso produtor de Hollywood na primeira temporada — que contou com episódios dirigidos pelo brasileiro Fernando Meirelles —, John Sugar agora assume um novo caso: encontrar Ji Moon, interpretado por Raymond Lee, irmão do boxeador Danny Moon, vivido por Jin Ha. Filhos de imigrantes sul-coreanos, os dois cresceram nos Estados Unidos e têm apenas um ao outro como referência familiar.

sugar
Segunda temporada de “Sugar” amplia o universo da série ao explorar bairros multiculturais - Foto: reprodução

Para Colin Farrell, a mudança de cenário permite mostrar uma cidade pouco explorada pelas produções ambientadas em Los Angeles. “Há partes muito ricas culturalmente que são mexicanas, salvadorenhas, coreanas, que têm estética, música, comida, movimento próprios. L.A. é fascinante, e temos o privilégio de mostrar as diferenças e o ecletismo desse lugar, o que torna a série mais interessante.”

Morador de Los Angeles há 25 anos, o ator afirma que a cidade vai muito além dos cartões-postais ligados à indústria do cinema. A nova investigação também amplia a representação da diversidade étnica da cidade, cuja população é formada majoritariamente por descendentes de imigrantes. Atualmente, cerca de 47% dos moradores são latinos ou descendentes de latino-americanos, enquanto aproximadamente 12% têm origem asiática, incluindo comunidades coreanas, chinesas, filipinas e japonesas.

Segundo Jin Ha, esse aprofundamento ocorre porque a série acompanha seus personagens durante toda a temporada. “A beleza é que a série leva uma temporada inteira a mergulhar em um grupo de pessoas e suas experiências. Assim, Sugar consegue fazer retratos complexos e respeitosos.”

Raymond Lee afirma que a produção evita transformar a cultura dos personagens em elemento expositivo. “O que imigrantes não querem é ser tratados como outros. Somos pessoas como todas as outras, e a série consegue ser específica sobre as culturas sem ser apelativa. É um instantâneo, não uma explicação. Somos coreanos, com personalidades e corpos coreanos e não temos escolha porque é o que somos.”

A escolha acompanha o objetivo do showrunner Sam Catlin de mostrar uma Los Angeles diferente da tradicional imagem ligada exclusivamente à indústria cinematográfica. “Queríamos mostrar que há outros tipos de sonhadores aqui.”

A nova temporada também aprofunda as consequências da principal revelação do primeiro ano da série. Ao final da temporada inicial, descobre-se que John Sugar é, na verdade, um extraterrestre enviado à Terra para observar a humanidade.

Embora mantenha referências aos grandes clássicos do gênero, como Pacto de Sangue, Chinatown e Crepúsculo dos Deuses, a série procura construir um protagonista diferente dos tradicionais detetives cínicos do noir. Mesmo diante da violência e da corrupção presentes na nova investigação, John Sugar continua acreditando na capacidade humana de agir com solidariedade e empatia. Segundo Laura Donnelly, esse contraste faz parte da proposta da série.

“Os filmes sobre alienígenas nos colocam diante de um espelho. Gostamos do que vemos? A esperança é que possamos fazer uma pausa e refletir sobre quem queremos ser e como gostaríamos de ser vistos.”

Farrell reconhece que nem sempre compartilha do mesmo otimismo do personagem, mas afirma que essa visão foi um dos aspectos que mais o atraíram para o papel.

“Para mim é difícil conciliar isso com o que acontece no mundo.” Ainda assim, o ator destaca que a humanidade continua sendo capaz de produzir grandes realizações.