A indústria potiguar de confecção quer ampliar sua competitividade e atrair novos investimentos por meio da qualificação da mão de obra e do fortalecimento da infraestrutura produtiva no estado. A meta foi discutida durante reunião realizada entre a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), os Sindicatos das Indústrias do Vestuário (Sindvest-RN) e de Fiação e Tecelagem (SIFTRN), com a participação do Senai-RN, Sebrae-RN e representantes parlamentares. O encontro teve como foco a coleta de informações e levantamento de demandas para preparar o setor para novas oportunidades de mercado.
O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, participou das discussões e defendeu que a retomada da industrialização regional passa pela formação de trabalhadores capacitados e pela criação de ambientes produtivos organizados. Segundo ele, a indústria de vestuário é uma das atividades com maior potencial de geração de empregos no estado, especialmente em regiões onde o desemprego é elevado e a presença de pequenas oficinas de costura já faz parte da cultura local. “O setor precisa de investimento, mas também de gente preparada. É isso que estamos estruturando com os parceiros”, disse.

A reunião contou ainda com a presença de Francisco Soares de Lima Júnior, assessor do senador Rogério Marinho, responsável pela articulação de uma emenda parlamentar voltada à capacitação de mão de obra. Os recursos serão aplicados em programas de formação técnica e requalificação profissional voltados ao segmento têxtil e de confecções. A proposta é que o Senai, com sua expertise em educação industrial, ofereça cursos adaptados à realidade das empresas e em diálogo com as demandas do mercado.
Durante o encontro, representantes do setor empresarial relataram a necessidade de ações coordenadas para superar gargalos que vão desde a escassez de trabalhadores qualificados até a dificuldade de acesso a crédito e equipamentos. Os dirigentes sindicais defenderam também a criação de novos polos produtivos e o fortalecimento das redes de pequenas oficinas espalhadas pelo interior do estado. “Temos o conhecimento, temos o mercado e temos a disposição. O que falta é suporte técnico e institucional para dar escala ao que já fazemos bem”, resumiu um dos participantes.
O Sebrae-RN se comprometeu a mapear as oficinas existentes e levantar as principais barreiras para sua formalização e expansão. A entidade também vai contribuir com programas de consultoria voltados à gestão e à inserção das pequenas empresas na cadeia produtiva da moda e do vestuário. A ideia é integrar quem já produz com quem pode investir, em um modelo de desenvolvimento com base local.
O setor têxtil potiguar reúne centenas de micro e pequenas empresas, com forte presença em municípios como Caicó, Parelhas, Santa Cruz e Natal. A indústria emprega majoritariamente mulheres e tem perfil produtivo descentralizado. Para os líderes da Fiern, a qualificação e a organização do setor podem transformar a atividade em uma das principais bases da economia do estado. O compromisso firmado durante a reunião é manter a articulação entre entidades e continuar pressionando por políticas públicas que garantam suporte técnico, financiamento e acesso a mercados. O trabalho, segundo os participantes, está apenas começando.