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Acordo

PF retoma negociações para delação de Daniel Vorcaro no caso Banco Master

Polícia Federal voltou a discutir acordo de colaboração premiada após rejeitar primeira proposta apresentada pela defesa do empresário
Por O Correio de Hoje
29/05/2026 | 15:29

A Polícia Federal voltou a discutir a possibilidade de um acordo de colaboração premiada com o empresário Daniel Vorcaro, apontado como principal investigado nas apurações envolvendo o Banco Master. A retomada das conversas ocorre cerca de uma semana após a corporação rejeitar a primeira proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro.

Segundo informações encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados ao caso, a PF manifestou interesse em analisar novos termos para uma eventual colaboração. O comunicado foi formalizado por meio de ofício enviado ao magistrado.

Daniel Vorcaro
PF retoma negociações para delação de Daniel Vorcaro no caso Banco Master - Foto: Reprodução

Apesar da reabertura das tratativas, ainda não existe um novo acordo de confidencialidade firmado entre as partes. Integrantes da investigação afirmam que a defesa de Vorcaro ainda não apresentou uma nova versão da proposta, embora tenha sinalizado interesse em continuar negociando.

No documento enviado ao STF, a Polícia Federal destaca que, mesmo após a rejeição inicial, qualquer nova oferta de colaboração será examinada. Como a legislação não estabelece prazo para esse tipo de negociação, o entendimento dos investigadores é de que o investigado tem o direito de apresentar novas propostas, que deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis.

No último dia 20, a PF recusou a primeira tentativa de acordo. Na ocasião, investigadores concluíram que as informações fornecidas por Vorcaro acrescentavam pouco ao material já reunido durante as apurações. A avaliação era de que os relatos não avançavam além de provas já obtidas, como mensagens e conversas extraídas de aparelhos celulares.

Após a negativa, a defesa passou a buscar diálogo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na tentativa de construir uma proposta considerada mais robusta. Dentro do Ministério Público, havia o entendimento de que uma negociação dessa dimensão não deveria ser encerrada após a apresentação de uma única versão.

A expectativa de investigadores e procuradores é que uma eventual colaboração inclua mecanismos para ressarcimento dos prejuízos atribuídos ao esquema sob investigação. Estimativas citadas nas apurações apontam para um valor que pode chegar a R$ 60 bilhões.

Mesmo com a retomada das conversas, integrantes da investigação ressaltam que não há garantia de que um acordo será firmado. A aceitação dependerá da apresentação de informações consideradas relevantes e inéditas, capazes de contribuir efetivamente para o avanço das apurações.

As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa em 6 de maio, mas acabaram sendo recebidas com ceticismo tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República. À época, o próprio ministro André Mendonça também demonstrava reservas em relação à viabilidade do acordo.

Ainda assim, o magistrado autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília. O local era utilizado durante os depoimentos prestados pelo empresário no contexto das negociações da colaboração premiada.