A Polícia Federal voltou a discutir a possibilidade de um acordo de colaboração premiada com o empresário Daniel Vorcaro, apontado como principal investigado nas apurações envolvendo o Banco Master. A retomada das conversas ocorre cerca de uma semana após a corporação rejeitar a primeira proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro.
Segundo informações encaminhadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator dos inquéritos relacionados ao caso, a PF manifestou interesse em analisar novos termos para uma eventual colaboração. O comunicado foi formalizado por meio de ofício enviado ao magistrado.

Apesar da reabertura das tratativas, ainda não existe um novo acordo de confidencialidade firmado entre as partes. Integrantes da investigação afirmam que a defesa de Vorcaro ainda não apresentou uma nova versão da proposta, embora tenha sinalizado interesse em continuar negociando.
No documento enviado ao STF, a Polícia Federal destaca que, mesmo após a rejeição inicial, qualquer nova oferta de colaboração será examinada. Como a legislação não estabelece prazo para esse tipo de negociação, o entendimento dos investigadores é de que o investigado tem o direito de apresentar novas propostas, que deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis.
No último dia 20, a PF recusou a primeira tentativa de acordo. Na ocasião, investigadores concluíram que as informações fornecidas por Vorcaro acrescentavam pouco ao material já reunido durante as apurações. A avaliação era de que os relatos não avançavam além de provas já obtidas, como mensagens e conversas extraídas de aparelhos celulares.
Após a negativa, a defesa passou a buscar diálogo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na tentativa de construir uma proposta considerada mais robusta. Dentro do Ministério Público, havia o entendimento de que uma negociação dessa dimensão não deveria ser encerrada após a apresentação de uma única versão.
A expectativa de investigadores e procuradores é que uma eventual colaboração inclua mecanismos para ressarcimento dos prejuízos atribuídos ao esquema sob investigação. Estimativas citadas nas apurações apontam para um valor que pode chegar a R$ 60 bilhões.
Mesmo com a retomada das conversas, integrantes da investigação ressaltam que não há garantia de que um acordo será firmado. A aceitação dependerá da apresentação de informações consideradas relevantes e inéditas, capazes de contribuir efetivamente para o avanço das apurações.
As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa em 6 de maio, mas acabaram sendo recebidas com ceticismo tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República. À época, o próprio ministro André Mendonça também demonstrava reservas em relação à viabilidade do acordo.
Ainda assim, o magistrado autorizou o retorno de Vorcaro a uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília. O local era utilizado durante os depoimentos prestados pelo empresário no contexto das negociações da colaboração premiada.