As contas do governo federal fecharam o mês de abril com superávit primário de R$ 25,2 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira 28 pelo Tesouro Nacional. O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado e configura o melhor desempenho para meses de abril nos últimos quatro anos.
O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, desconsiderando os gastos com juros da dívida pública. Quando a arrecadação supera as despesas, há superávit; quando ocorre o contrário, o resultado é deficitário.

Em valores corrigidos pela inflação, o superávit de abril superou os R$ 19 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço, o desempenho ainda ficou abaixo do registrado em abril de 2022, quando o saldo positivo alcançou R$ 34,5 bilhões.
De acordo com o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, David Rebelo Athayde, parte da melhora observada nas contas públicas já reflete os efeitos da valorização internacional do petróleo, impulsionada pelo conflito envolvendo o Irã. Segundo ele, a alta dos preços da commodity elevou a arrecadação federal por meio de receitas ligadas à exploração petrolífera.
“Petróleo afeta receitas do governo. Royalties, participação especial e venda de óleo. Conflito eclodiu em março, começa a ter efeito sobre a arrecadação de abril”, afirmou Athayde.
O secretário explicou que ainda não há uma estimativa precisa sobre o impacto efetivo da alta do petróleo na arrecadação do mês. No entanto, lembrou projeções da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda que apontam para um incremento mensal de aproximadamente R$ 8 bilhões nas receitas públicas. Parte desse ganho, contudo, tende a ser compensada por medidas relacionadas à redução de tributos e subsídios sobre combustíveis, estimadas em cerca de R$ 6 bilhões.
Os dados do Tesouro mostram que a melhora das contas públicas foi impulsionada principalmente pelo crescimento da arrecadação, que avançou em ritmo superior ao das despesas. As receitas líquidas de transferências totalizaram R$ 235 bilhões em abril, alta real de 5,8% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Já as despesas somaram R$ 210 bilhões, registrando crescimento real de 3,3%.
O desempenho da arrecadação tem sido favorecido pela expansão da atividade econômica e também pelo efeito de medidas tributárias implementadas pelo governo federal nos últimos anos.
Entre as receitas que mais contribuíram para o resultado estão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que registrou aumento de R$ 2,8 bilhões, impulsionado pelo crescimento das operações de crédito, seguros e câmbio, além dos efeitos de mudanças tributárias adotadas anteriormente.
Também houve crescimento de R$ 2,3 bilhões na arrecadação do Imposto de Importação, resultado associado ao aumento do volume de produtos importados e à elevação da alíquota média efetiva. O Imposto de Renda apresentou acréscimo de R$ 2,3 bilhões, enquanto a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) avançou R$ 1,4 bilhão, refletindo o desempenho do lucro presumido, das declarações de ajuste e da tributação sobre aplicações de renda fixa.
Outro destaque foi a arrecadação da Cofins, que cresceu R$ 1,5 bilhão, com contribuição relevante do setor de serviços. O conjunto desses fatores garantiu a expansão das receitas em ritmo suficiente para compensar o aumento das despesas e assegurar o resultado positivo das contas públicas em abril.