A BYD prepara para o início de agosto o lançamento da versão reestilizada do Song Pro no mercado brasileiro, em mais um movimento para ampliar sua participação no segmento de veículos eletrificados. Além da atualização visual, o principal destaque do utilitário esportivo será a adoção da tecnologia flex no conjunto híbrido plug-in (PHEV), tornando-o o segundo modelo bicombustível da fabricante chinesa comercializado no País. A iniciativa faz parte da estratégia da empresa de adaptar seus produtos às características do mercado brasileiro, onde o etanol ocupa posição relevante na matriz de combustíveis, ao mesmo tempo em que acelera o processo de nacionalização da produção na fábrica de Camaçari (BA).
O Song Pro 2027 deverá manter a arquitetura híbrida plug-in já conhecida, mas passará a utilizar um motor 1.5 aspirado compatível com gasolina e etanol, combinado a um propulsor elétrico. Embora a fabricante ainda não tenha confirmado as especificações finais, a expectativa é de que o sistema seja semelhante ao empregado no Atto 2 DM-i, lançado em junho como o primeiro híbrido flex da marca no Brasil. No Song Pro, entretanto, a potência deverá permanecer inalterada em relação ao modelo atual, com versões entregando 223 cv e 235 cv, dependendo da configuração, preservando também a bateria de 18,3 kWh. A decisão evidencia a estratégia da BYD de utilizar o etanol como alternativa para ampliar a atratividade dos híbridos plug-in sem comprometer o desempenho do conjunto mecânico.

A renovação estética segue a linguagem de design mais recente da fabricante, denominada Dragon Face, já presente em lançamentos internacionais da empresa. A dianteira foi completamente redesenhada, recebendo faróis mais estreitos, unidos por uma barra cromada que incorpora o logotipo “Song”, além de novo para-choque, entradas de ar revistas e grade inferior reformulada. As mudanças na traseira são discretas, concentrando-se principalmente nas rodas de novo desenho. As dimensões permanecem praticamente inalteradas: o SUV mede 4,73 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,71 metro de altura e 2,71 metros de entre-eixos. A pequena redução no comprimento, de apenas três milímetros, decorre exclusivamente do novo desenho do para-choque dianteiro.
No interior, as alterações acompanham a evolução dos modelos mais recentes da BYD comercializados na China. O painel foi completamente redesenhado, adotando linhas mais horizontais e acabamento semelhante ao utilizado no sedã Qin L. O volante também é novo e passa a exibir o emblema da linha Song em substituição ao tradicional logotipo da marca. A expectativa é que o pacote tecnológico seja mantido, incluindo a central multimídia giratória, painel de instrumentos digital e os sistemas de assistência à condução já oferecidos no modelo atual.
O lançamento também marca mais uma etapa da estratégia industrial da montadora no Brasil. Assim como ocorre atualmente, o Song Pro continuará sendo montado na fábrica de Camaçari pelo sistema SKD (Semi Knocked Down), no qual veículos parcialmente desmontados são enviados da China para montagem local. A empresa informou que a fase experimental da produção completa começará em agosto, enquanto a fabricação em série de veículos totalmente produzidos na unidade baiana está prevista para o fim deste ano. A nacionalização da produção é considerada um passo importante para ampliar a competitividade da marca, reduzir custos logísticos e elevar o conteúdo local dos veículos.
O Song Pro chega a um mercado em rápida transformação. A combinação entre eletrificação e motorização flex tornou-se uma das principais apostas das montadoras para acelerar a adoção de veículos eletrificados no Brasil, aproveitando a ampla disponibilidade de etanol e a infraestrutura já consolidada para esse combustível. Nesse contexto, a BYD busca consolidar sua posição em um segmento que vem registrando crescimento consistente nas vendas e intensificação da concorrência, especialmente com fabricantes que também passaram a desenvolver tecnologias híbridas adaptadas às condições do mercado brasileiro.