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Comércio Internacional

Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor

Sobretaxa de Donald Trump atinge cerca de 20% das exportações brasileiras para o mercado americano; governo prepara crédito emergencial e plano para diversificar destinos comerciais
Por O Correio de Hoje
23/07/2026 | 14:12

Entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre parte das importações provenientes do Brasil. A medida, implementada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), atinge aproximadamente 20% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, com impacto estimado entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões em vendas externas, segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). A tarifa foi aplicada sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos EUA para responder ao que considera práticas comerciais desleais.

Ao todo, cerca de 2,3 mil produtos brasileiros passam a ser sobretaxados, concentrados principalmente nos segmentos de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças, calçados, móveis e etanol. Durante a fase final das negociações, o governo americano ampliou a lista de exceções, elevando para aproximadamente 700 o número de produtos isentos — acima dos 615 inicialmente previstos. Permaneceram fora da sobretaxa itens considerados estratégicos para as cadeias produtivas dos Estados Unidos, como café, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e componentes aeroespaciais, além de alguns produtos energéticos.

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Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou pacote brasileiro para mitigação de impactos da sobretaxa - Foto: valter campanato / agência brasil

Ainda assim, o mercado norte-americano continua sendo o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos e responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos, o que amplia a preocupação da indústria nacional com possíveis perdas de competitividade.

Os efeitos da medida tendem a se concentrar em alguns Estados. Levantamento da ApexBrasil aponta que São Paulo e Santa Catarina reúnem 52% do valor das exportações brasileiras atingidas pela nova tarifa. Sozinho, São Paulo responde por 41,6% desse montante, reflexo da elevada participação da indústria paulista nas vendas aos Estados Unidos.

Santa Catarina, por sua vez, apresenta maior dependência relativa do mercado americano: cerca de 68% de suas exportações para o país serão afetadas pela sobretaxa. Para o governo dos EUA, a decisão decorre de supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos, envolvendo temas como pagamentos eletrônicos — incluindo o Pix —, regulação de plataformas digitais, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, desmatamento ilegal e acordos preferenciais firmados pelo Brasil com países como México e Índia. O governo brasileiro rejeita essas justificativas e sustenta que a medida possui motivação política e não reflete a realidade das relações comerciais entre os dois países.

Como resposta, o governo brasileiro anunciou um conjunto de medidas voltadas à mitigação dos impactos sobre os setores exportadores. Entre elas estão a retomada de linhas de crédito para capital de giro e investimentos, apoio à abertura de novos mercados internacionais e estudos para flexibilizar temporariamente regras dos regimes especiais de tributação utilizados por empresas exportadoras. Paralelamente, a ApexBrasil prepara um plano estimado em R$ 130 milhões para acelerar a diversificação dos destinos das exportações brasileiras, priorizando mercados da União Europeia, da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) — como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã —, além de países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão. A estratégia busca reduzir a dependência do mercado americano em um cenário de crescente fragmentação do comércio internacional e de intensificação das disputas tarifárias entre grandes economias.