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Economia

BNB projeta R$ 4 bilhões em crédito no RN em 2026

Superintendente Jeová Lins afirma que banco já havia contratado mais de R$ 1,7 bilhão até junho e prevê avanço dos financiamentos em energia, comércio, serviços, indústria e agronegócio
Por O Correio de Hoje
13/08/2026 | 16:52

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) pretende alcançar até R$ 4 bilhões em contratações de crédito no Rio Grande do Norte em 2026. A projeção supera os R$ 3,3 bilhões aplicados no Estado no ano passado e abrange operações destinadas à agricultura, pecuária, indústria, comércio, serviços, turismo e energia renovável. Até o encerramento de junho, o volume contratado já ultrapassava R$ 1,7 bilhão.

Os números foram apresentados pelo superintendente estadual do BNB, Jeová Lins, em entrevista ao podcast Economia & Negócios, da TV Agora RN, apresentado pelo jornalista Elias Luz. Segundo ele, o banco considera a meta estabelecida para o ano como um patamar mínimo e dispõe de projetos suficientes para ampliar as liberações ao longo do segundo semestre.

Jeová Lins durante entrevista em estúdio ao podcast Economia & Negócios, da TV Agora RN
Jeová Lins, superintendente do BNB no RN, disse que há recursos disponíveis - Foto: josé aldenir

“Nós temos hoje uma meta, para a gente do Banco do Nordeste, a meta é um piso. Nós temos um piso de crédito de R$ 2,8 bilhões. Também temos as microfinanças, Agroamigo e Crediamigo. A gente espera superar este ano a marca dos R$ 3,3 bilhões do ano passado, se não chegar a pelo menos R$ 4 bilhões de crédito. Propostas nós temos”, afirmou.

O avanço esperado para a segunda metade do ano está relacionado ao ciclo de preparação das empresas para as vendas de fim de ano. Nesse período, estabelecimentos comerciais ampliam os estoques, enquanto indústrias aumentam a produção para atender à demanda. O banco pretende financiar tanto capital de giro quanto projetos de implantação, modernização e expansão das empresas.

O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) permanece como a principal fonte utilizada pelo BNB. A instituição também opera com recursos próprios e repasses de parceiros como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A combinação dessas fontes permite atender empreendimentos de diferentes portes e setores.

Entre as atividades que concentram as maiores operações no Rio Grande do Norte está a geração de energia eólica e solar. O banco também recebe demandas relacionadas aos sistemas de transmissão e começa a avaliar projetos voltados ao armazenamento da energia produzida no Estado. Uma consulta para a instalação de baterias na região de São Miguel do Gostoso já está em análise.

“É o melhor dos mundos para o Banco do Nordeste, é o fechamento do ciclo da atividade. Se você gera energia e faz uso da energia dentro do nosso Estado, isso é o melhor dos mundos”, disse Lins. Segundo ele, a instituição já foi procurada por empresas interessadas em financiar sistemas de baterias e aguarda a apresentação dos projetos completos para prosseguir com as análises.

O BNB também recebeu sinalizações relacionadas à instalação de data centers no Rio Grande do Norte. A expectativa do superintendente é que os projetos avancem a partir de 2027. A estrutura poderia aumentar o consumo local da energia renovável, atrair fornecedores e ampliar a formação de uma cadeia industrial vinculada ao setor.

A produção de hidrogênio verde é outra frente acompanhada pelo banco. Lins afirmou que há conversas com empresários interessados em aproveitar a oferta de energia renovável do Rio Grande do Norte para desenvolver esse mercado. Embora os projetos ainda estejam em fase inicial, a instituição pretende participar dos financiamentos quando as propostas estiverem estruturadas.

Apesar do peso das energias renováveis, comércio e serviços concentram a maior quantidade de pedidos de crédito, refletindo a composição da economia potiguar. Em 2025, o BNB aplicou cerca de R$ 1,4 bilhão em microfinanças e operações destinadas à base da atividade produtiva estadual. As micro e pequenas empresas receberam quase R$ 500 milhões.

O Crediamigo, voltado principalmente a pequenos empreendedores urbanos do comércio e dos serviços, movimentou mais de R$ 600 milhões no Estado durante o ano passado. O Agroamigo, destinado à microfinança rural e à agricultura familiar, respondeu por mais de R$ 400 milhões.

“Seguramente, comércio e serviço demandam mais, pela característica do Estado. Quando você pega esses três da base, vê o quanto o comércio e os serviços estão presentes. Temos recursos para a indústria, temos recursos para o turismo, agora a demanda é espontânea. Quanto mais estrutura tiver o setor, a demanda vai chegar”, afirmou.

Na atividade rural, o banco atende projetos de fruticultura na região de Mossoró e no Vale do Açu, além da agricultura familiar e da pecuária. No Seridó, os financiamentos alcançam queijeiras, fábricas de bonés e outros empreendimentos instalados em municípios como Caicó, Serra Negra do Norte e São José do Seridó.

Em São José do Seridó, o banco financiou uma fábrica responsável por gerar entre 140 e 160 empregos, conforme a sazonalidade da produção. Na Festa do Boi de 2025, as contratações superaram R$ 50 milhões. Em Currais Novos, outra feira apoiada pelo BNB movimentou mais de R$ 17 milhões em financiamentos no mesmo ano. O superintendente afirmou que o banco dispõe de recursos para empresas de todos os portes, desde que os interessados atendam aos critérios de crédito. A inadimplência ou a existência de pendências cadastrais pode impedir a contratação, mas, segundo ele, a disponibilidade financeira não constitui uma limitação neste momento.

O BNB mantém 21 agências no Rio Grande do Norte e atua nos 167 municípios do Estado por meio das jurisdições dessas unidades e dos programas de microfinanças. Embora a Grande Natal concentre parte relevante da demanda, devido à localização das sedes das empresas, Lins afirmou que o crédito vem avançando no interior.

Um dos atrativos apresentados pelo banco são os prazos e as taxas do FNE, inferiores à Selic. No Agroamigo, determinadas operações podem ter juros de 2,5% ao ano. Outros financiamentos rurais chegam a 8,53% ao ano; para micro e pequenas empresas, as taxas ficam em torno de 9%; e, nas operações com grandes companhias, podem chegar a aproximadamente 11,5% ao ano.

Os prazos variam conforme a atividade e o projeto. Empreendimentos de energia renovável podem obter financiamento de até 25 anos, enquanto operações de hotelaria chegam a 20 anos. Projetos industriais de implantação, ampliação ou modernização podem ter períodos de pagamento de 12 a 25 anos, com carência de três a quatro anos.

“Quando a gente fala em prazo, não é só o prazo da operação, é o prazo da carência. A gente permite que a empresa entre em funcionamento e comece a pagar. O mínimo e pequeno que já está trabalhando normalmente também tem prazo bom e taxa de juros boa”, declarou.

Lins também informou que o BNB assinou recentemente um protocolo para ampliar o relacionamento com o setor médico de Natal. A instituição já financia empreendimentos da área em Mossoró e Caicó e pretende aprofundar a atuação na capital.

Ao encerrar a entrevista, o superintendente orientou empresários e produtores interessados a procurar uma das agências ou os canais digitais e de atendimento do banco. “Procurem o Banco do Nordeste. A gente se coloca à disposição para trazer desenvolvimento para o nosso Estado, fazer com que o nosso empresário seja forte, atuante, competitivo, gerador de emprego e gerador de renda”, afirmou.