A Embraer fechou um acordo com o Grupo Abra, controlador das companhias Gol, Avianca e Wamos Air, para a aquisição de até 45 aeronaves da família E-Jets E2, em um contrato que pode ampliar a presença da fabricante brasileira na aviação comercial doméstica e fortalecer a operação regional da Gol.
O anúncio foi realizado nesta terça-feira 21, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O pedido firme contempla 20 aeronaves E195-E2, além de 10 opções de compra e 15 direitos de aquisição, com previsão de entrega da primeira unidade no fim de 2027.

O contrato ainda depende do cumprimento de condições previstas entre as partes, mas representa uma mudança na estratégia da Gol, cuja frota é historicamente composta por aeronaves Boeing. A incorporação do E195-E2 diversifica a operação da companhia e acompanha um movimento recente de ampliação da frota, que passou a incluir também aeronaves Airbus A330 para voos internacionais.
Além do acordo com o Grupo Abra, a Embraer confirmou novas encomendas de cinco jatos E195-E2 para a espanhola Binter e três para a companhia aérea Luxair, elevando para 28 o número de pedidos firmes anunciados no terceiro trimestre. Somadas as opções e direitos de compra, os contratos poderão alcançar 58 aeronaves.
O modelo E195-E2 é atualmente o maior avião comercial produzido pela Embraer e transporta até 146 passageiros. Segundo a fabricante, a aeronave consome cerca de 30% menos combustível por assento em comparação com modelos de gerações anteriores, característica que tem impulsionado sua adoção em rotas regionais e de média distância.
No mercado brasileiro, a Azul é atualmente a única companhia que opera aeronaves Embraer em larga escala, cenário que deverá mudar com a futura incorporação do E2 também pela Latam, ampliando a presença da fabricante nacional entre as principais empresas aéreas do País.
Para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o acordo reforça tanto a competitividade da indústria aeronáutica brasileira quanto o potencial de expansão da aviação regional. O diretor-presidente da agência, Tiago Faierstein, informou que será criada uma força-tarefa para acelerar a certificação e a entrada em operação das aeronaves conforme o cronograma de entregas.
“A aviação regional precisa ser desenvolvida no nosso país. Temos então duas excelentes notícias. A indústria nacional ampliando a sua participação no mercado mundial e a aviação regional brasileira podendo ganhar um reforço muito importante”, afirmou.
O contrato também amplia a carteira de pedidos da Embraer em um momento de recuperação global da demanda por aeronaves de corredor único voltadas ao mercado regional.