O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar formalmente o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Moura Ribeiro por suspeitas relacionadas a um esquema de venda de decisões judiciais. É a primeira vez, desde o início da Operação Sisamnes, em novembro de 2024, que um magistrado do STJ se torna alvo direto da apuração.
Em relatório encaminhado ao Supremo, a PF apontou indícios envolvendo dez processos relatados por Moura Ribeiro. Os investigadores suspeitam que decisões tenham favorecido a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves, mulher do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, acusado de comprar decisões e corromper servidores da Corte.

Em um dos casos, relacionado à posse de uma fazenda em Mato Grosso, a PF afirma que o ministro mudou de posição após uma das partes apresentar uma procuração em nome de Mirian. A investigação também identificou duas transferências feitas, em 2019 e 2020, por uma empresa de Andreson a um técnico judiciário que havia trabalhado no gabinete de Moura Ribeiro.
O ministro informou desconhecer a investigação e afirmou que pediu a exoneração do servidor depois de saber que ele havia solicitado a outros gabinetes cópias antecipadas de votos. A PF ressaltou que ainda não existem elementos suficientes para concluir se Moura Ribeiro ou integrantes de sua equipe participaram do suposto esquema.
Zanin autorizou novas diligências, incluindo o levantamento de informações sobre servidores, parentes, empresas e movimentações bancárias de pessoas ligadas ao gabinete e ao ministro. A PF deverá apresentar um resumo dos achados para orientar os próximos passos da investigação.