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Eleições 2026

PP decide ficar neutro para presidente e frustra Flávio, avisa Ciro Nogueira

Posição comunicada por Ciro Nogueira a Flávio Bolsonaro também deverá ser seguida pelo União Brasil e obriga o PL a buscar uma aliança com o Republicanos
Por O Correio de Hoje
23/07/2026 | 15:09

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), comunicou a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o partido permanecerá neutro na eleição para a Presidência da República deste ano. A definição frustra a estratégia do pré-candidato, que tentava obter o apoio da federação formada por PP e União Brasil. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo após ouvir dois aliados do dirigente partidário.

A posição foi acertada durante uma reunião entre Ciro e dirigentes do PP realizada na noite de terça-feira, em Brasília. Embora negue que a decisão já tenha sido tomada e transmitida a Flávio, o presidente da legenda teria informado aos correligionários que o partido não apoiará oficialmente nenhum candidato ao Palácio do Planalto.

Ciro foto Andressa
Ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, Ciro estaria insatisfeito com postura de Flávio no caso Master - Foto: Andressa Anholete / Senado

A neutralidade nacional permitirá que os diretórios estaduais negociem alianças conforme as particularidades de cada disputa. Em São Paulo, por exemplo, a tendência é que o PP caminhe com Flávio Bolsonaro. Na Paraíba, o partido poderá apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como PP e União Brasil estão reunidos em uma federação, a decisão deverá ser adotada também pela outra legenda. Três integrantes da cúpula do PP afirmaram que agora cabe ao União Brasil anunciar formalmente sua neutralidade. O presidente nacional do partido, Antonio Rueda, já vinha indicando a interlocutores nas últimas semanas que essa seria a posição mais provável na eleição presidencial.

A campanha de Flávio considerava a conversa com Ciro uma última tentativa de impedir que a federação liberasse seus diretórios nos estados. Dentro das articulações, a vaga de vice na chapa presidencial chegou a ser oferecida à senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ela, porém, recusou o convite e declarou que pretende disputar a presidência do Senado em 2027.

A relação entre Ciro e Flávio também sofreu desgaste nas últimas semanas. Segundo interlocutores do dirigente do PP, ouvidos sob reserva, o senador se incomodou com o afastamento do pré-candidato após se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal. A investigação apura uma suposta atuação de Ciro para beneficiar Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. O senador teria reclamado a aliados da postura adotada por Flávio diante da operação, interpretada como um distanciamento político justamente em um momento de maior pressão sobre o presidente do PP. Antes do episódio, Ciro figurava entre os principais defensores de uma aliança da legenda com o pré-candidato do PL.

Sem o apoio nacional da federação entre PP e União Brasil, o PL deverá concentrar seus esforços na aproximação com o Republicanos, comandado por Marcos Pereira. A legenda também sinaliza que poderá permanecer neutra, mas ainda discute a possibilidade de integrar formalmente a coligação presidencial de Flávio.

Aliados do senador defendem que a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, recém-filiada ao Republicanos, seja escolhida como candidata a vice. Um eventual acordo nacional dependeria da entrega da vaga ao partido e do apoio do PL a candidaturas do Republicanos em alguns estados.

Marcos Pereira, entretanto, tem demonstrado pessimismo nas conversas com interlocutores. Entre os principais obstáculos estão as dificuldades para obter o apoio do PL aos candidatos do Republicanos aos governos estaduais, condição considerada fundamental para que a legenda ingresse na coligação de Flávio.