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Agricultura familiar

AgroSertão impulsiona renda no RN

Projeto apoiado pela Fundação Banco do Brasil beneficiou mais de 350 famílias, fortaleceu a cadeia do algodão agroecológico e gerou receita superior a R$ 1,24 milhão entre 2022 e 2025
Por O Correio de Hoje
23/07/2026 | 15:22

O resgate da produção de algodão no semiárido do Rio Grande do Norte vem consolidando uma nova fonte de renda para agricultores familiares do Seridó. Desenvolvido entre 2022 e 2025, o Projeto AgroSertão beneficiou mais de 350 famílias distribuídas em 17 municípios da região, combinando mecanização agrícola, organização produtiva e acesso a mercados.

Com apoio financeiro da Fundação Banco do Brasil, a iniciativa alcançou cerca de 300 hectares cultivados, produziu quase 170 mil quilos de algodão em rama e aproximadamente 70 mil quilos de pluma beneficiada, gerando mais de R$ 1,24 milhão em receita direta aos produtores. O projeto é considerado uma das principais ações de fortalecimento da cadeia do algodão agroecológico no Nordeste, ao reunir produção sustentável, inclusão produtiva e estímulo à agricultura familiar.

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Produção de algodão se intensifica em 17 municípios do semiárido do RN - Foto: cooperativa de agricultores

Os investimentos concentraram-se na estruturação da atividade produtiva. Ao longo da execução do projeto, foram distribuídos 350 kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e entregues 32 conjuntos de máquinas e implementos agrícolas de uso coletivo, entre motocultivadores, plantadeiras, semeadeiras, roçadeiras multifuncionais, enxadas rotativas, carretas agrícolas e equipamentos para transporte de cargas.

A mecanização reduziu o esforço físico das famílias, aumentou a produtividade das lavouras e permitiu maior eficiência nas etapas de plantio e colheita. Além dos ganhos econômicos, o projeto busca ampliar as condições de permanência das famílias no campo, em uma região historicamente marcada pelas limitações impostas pelo clima semiárido.

Outro eixo da iniciativa foi o fortalecimento da organização dos produtores. Como resultado do projeto, foi criada a Cooperativa dos Produtores Agroecológicos do Seridó, que atualmente reúne mais de 180 agricultores de 16 municípios.

A cooperativa passou a atuar no beneficiamento, comercialização e negociação conjunta da produção, ampliando o acesso a compradores e agregando valor ao algodão cultivado sob práticas agroecológicas. O modelo busca reduzir a dependência de intermediários e aumentar a capacidade de inserção dos pequenos produtores em cadeias produtivas de maior valor agregado.

O reconhecimento da qualidade do algodão produzido no Seridó ganhou projeção nacional em 2025, quando a varejista Riachuelo lançou uma coleção confeccionada com algodão agroecológico cultivado por agricultores participantes do AgroSertão.

A parceria aproximou a produção familiar da indústria têxtil e evidenciou o potencial de rastreabilidade e sustentabilidade do produto, atributos que vêm ganhando espaço no mercado de moda. A cadeia do algodão agroecológico no Nordeste tem atraído interesse crescente de empresas que buscam matérias-primas associadas a práticas ambientais e sociais certificadas.

Para o superintendente estadual do Banco do Brasil no Rio Grande do Norte, Gustavo Martins Rodrigues, os resultados demonstram o potencial de iniciativas estruturadas para promover desenvolvimento regional.

“O Projeto Agro Sertão mostra como uma parceria bem-articulada pode transformar uma vocação histórica do Seridó numa oportunidade concreta de renda, de desenvolvimento da região, de sustentabilidade e de permanência das famílias no campo”, afirma.

Segundo ele, o apoio da Fundação Banco do Brasil envolveu a estruturação produtiva, com fornecimento de máquinas, equipamentos, equipamentos de proteção individual, capacitação e fortalecimento do associativismo.

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Gustavo Martins, do Banco do Brasil – Foto: reprodução / redes sociais

“São mais de 350 famílias beneficiadas, espalhadas em 17 municípios da região, uma área de produção de aproximadamente 300 hectares, onde foram produzidos mais de 170 mil quilos de algodão em rama, cerca de 70 mil quilos de algodão em pluma, e isso gerou uma receita direta de mais de R$ 1,24 milhão aos agricultores da região”, destaca.

A iniciativa também reforça a estratégia do Banco do Brasil de ampliar sua atuação em projetos voltados à agricultura familiar e ao desenvolvimento sustentável. Tradicional financiador do agronegócio brasileiro, o banco vem ampliando programas voltados à inclusão produtiva de pequenos agricultores, combinando crédito, assistência técnica, fortalecimento do cooperativismo e apoio à comercialização.

No caso do AgroSertão, a recuperação de uma cultura historicamente ligada ao Seridó evidencia como investimentos em tecnologia, organização coletiva e acesso ao mercado podem contribuir para diversificar a economia rural e aumentar a resiliência das comunidades do semiárido potiguar.