O senador Styvenson Valentim (Podemos), candidato à reeleição, afirmou que parte das pessoas evita procurar emprego por receio de perder benefícios sociais ao assinar a carteira de trabalho. A falta de mão de obra, segundo ele, tem prejudicado setores como a construção civil.
“As pessoas estão com dificuldade de procurar esse tipo de emprego. Normalmente, é por conta do auxílio que eles recebem. Não querem abrir mão do auxílio para ter uma carteira assinada”, declarou o senador, em entrevista ao programa Cenário Político, da TCM de Mossoró, veiculada na noite de quinta-feira 13.

Styvenson acrescentou que o trabalhador pode considerar instável a contratação para uma obra específica, diante da possibilidade de perder simultaneamente o emprego e o benefício social após o encerramento do empreendimento. “Trabalha naquela obra e depois não tem outra obra. Pode perder o benefício de uma bolsa”, afirmou.
A nova explicação foi apresentada um dia depois de o senador afirmar, durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) e pelo Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas (Midiacom-RN), que a dificuldade de contratação no interior decorre do desinteresse das pessoas pelo trabalho.
“Porque hoje a maior dificuldade do interior na construção civil — e a gente fala com propriedade porque paga a emenda para construir no interior — é para conseguir um trabalhador. Porque o caba não quer trabalhar”, declarou na ocasião.
Durante a sabatina, Styvenson afirmou que o setor precisa recorrer a novas tecnologias e metodologias capazes de reduzir a quantidade de trabalhadores nas obras. “Aí a gente tem que buscar metodologias hoje inovadoras. Construir sem muito trabalhador em pouco tempo”, disse.
Na sequência, voltou a generalizar a conduta dos profissionais: “Tecnologia nova. Por quê? Porque o caba não vai trabalhar. Ele trabalha de terça a quarta. O resto é tomando cachaça.”
Na entrevista à TCM, o senador retomou a associação entre a falta de trabalhadores e o consumo de álcool. “O alcoolismo atinge muita gente, principalmente em algumas profissões que eu consigo observar”, afirmou.
Segundo Styvenson, empresários da construção relatam ausências recorrentes no começo e no fim da semana. “Na construção civil, a reclamação é reiterada de construtores dizendo: ‘Na segunda, o pessoal não vem trabalhar, na sexta já começa a faltar’”, declarou.
O senador afirmou que as faltas reduzem o ritmo do trabalho e afetam o custo e o prazo dos empreendimentos. “Ou seja, diminui o tempo de escala deles. Isso encarece a obra, demora a entregar obra”, completou.
Styvenson abordou o assunto ao falar sobre obras financiadas com emendas de seu mandato em Mossoró. Ele citou o novo hospital infantil da Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim), que sofreu atraso após a empresa inicialmente contratada descumprir o contrato, e a nova estrutura da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer.
Leia mais notícias de Política no Agora RN.