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Economia

Indústria sofre com juros elevados

Sondagem da CNI aponta avanço na satisfação com situação financeira, lucro e crédito, mas empresários ainda enfrentam custos elevados e ambiente de negócios desfavorável
Por O Correio de Hoje
23/07/2026 | 15:37

As condições financeiras da indústria brasileira apresentaram melhora no segundo trimestre de 2026, mas o ambiente de negócios continua pressionado por juros elevados, alta carga tributária e custos de produção ainda acima do desejado. É o que mostra a Sondagem Industrial divulgada nesta quarta-feira, 22, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Embora os indicadores de satisfação tenham avançado em relação aos primeiros três meses do ano, todos permanecem abaixo da linha de 50 pontos, patamar que separa satisfação de insatisfação. O levantamento indica que a redução da taxa básica de juros promovida pelo Banco Central ainda não foi suficiente para alterar de forma significativa a percepção dos empresários sobre lucratividade e acesso ao crédito.

Indústria cni Copia
Sondagem da CNI mostra redução da insatisfação financeira no setor industrial - Foto: reprodução / cni

O índice de satisfação com a situação financeira subiu 0,7 ponto no segundo trimestre, alcançando 47,9 pontos em uma escala de zero a 100. O indicador de satisfação com o lucro operacional avançou um ponto, para 42,9 pontos, enquanto o índice de facilidade de acesso ao crédito aumentou 0,9 ponto, chegando a 39,9 pontos.

Apesar da melhora, os três permanecem abaixo da linha de equilíbrio, refletindo um ambiente ainda considerado desfavorável para os negócios. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os cortes na taxa de juros tiveram efeito limitado sobre a atividade.

“Os cortes na taxa de juros foram modestos e tiveram pouco impacto sobre a melhora das condições financeiras. O quadro geral mostra que os empresários continuam bastante insatisfeitos com a lucratividade e o acesso ao crédito”, afirmou.

O levantamento também aponta uma desaceleração da pressão exercida pelos custos de produção. O índice de evolução do preço médio das matérias-primas caiu dois pontos no trimestre, para 64,1 pontos.

Embora permaneça acima da linha de 50 pontos — indicando que os insumos continuam mais caros do que no período anterior —, o resultado sugere perda de intensidade no avanço dos preços. Ainda assim, o custo de matérias-primas segue entre os principais obstáculos enfrentados pelo setor, em um contexto de instabilidade geopolítica e volatilidade nos mercados internacionais de commodities.

A carga tributária continua sendo o principal fator de preocupação para os industriais brasileiros. Segundo a pesquisa, 33,3% dos empresários apontaram o peso dos impostos como o maior problema enfrentado pelas empresas no segundo trimestre.

Na sequência aparecem o alto custo ou a falta de matérias-primas, citado por 31,2% dos entrevistados, e as taxas de juros elevadas, mencionadas por 27,9%. O resultado evidencia que, apesar da melhora gradual das condições macroeconômicas, fatores estruturais continuam limitando a competitividade da indústria nacional.

Os indicadores de atividade também mostram perda de ritmo em junho. O índice de evolução da produção caiu 0,5 ponto, para 48,4 pontos, registrando retração em relação a maio e o pior desempenho para um mês de junho desde 2022.

O índice de evolução do número de empregados permaneceu praticamente estável, em 48,2 pontos, indicando redução do quadro de pessoal pelo segundo mês consecutivo. Em sentido oposto, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) avançou de 69% para 70%, acumulando crescimento de quatro pontos percentuais ao longo do primeiro semestre e indicando uso mais intenso do parque fabril.

No comportamento dos estoques, a pesquisa revela um cenário de maior equilíbrio. O índice de evolução dos estoques caiu para 49,3 pontos, indicando redução dos volumes armazenados, enquanto o indicador que compara o estoque efetivo ao planejado subiu para exatamente 50 pontos.

É a primeira vez em 2026 que o setor considera seus estoques alinhados ao nível considerado adequado, reduzindo riscos de excesso de mercadorias e favorecendo o planejamento da produção para os próximos meses.

As expectativas para o segundo semestre permanecem moderadamente positivas. O índice de expectativa de exportações avançou 1,3 ponto em julho, passando para 51 pontos e voltando a indicar perspectiva de crescimento das vendas externas.

Também aumentaram os indicadores de expectativa para compra de insumos, que atingiu 52,4 pontos, e para demanda por produtos industriais, em 53,3 pontos. Já a expectativa para geração de empregos recuou levemente para 50,1 pontos, sinalizando estabilidade do mercado de trabalho industrial.

Apesar da melhora nas projeções de demanda e exportações, os empresários demonstram maior cautela em relação aos investimentos. O índice de intenção de investimento caiu 0,3 ponto em julho, para 53,2 pontos, registrando a segunda retração consecutiva.

Ainda assim, permanece acima da média histórica da série, de 52,6 pontos, indicando que o setor continua disposto a ampliar a capacidade produtiva, embora em ritmo mais moderado diante das incertezas relacionadas ao custo do crédito, ao ambiente tributário e ao cenário internacional.