O presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca), Arimar França Filho, afirmou que o Rio Grande do Norte perdeu competitividade ao longo das últimas décadas e defendeu a adoção de políticas públicas de longo prazo para reverter o cenário. Segundo ele, o estado “perdeu 50 anos” de desenvolvimento ao deixar de aproveitar seu potencial industrial e econômico.
A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Economia & Negócios, da TV Agora RN.

Na avaliação de Arimar, o enfraquecimento da indústria e a falta de planejamento comprometeram a capacidade do estado de atrair investimentos e manter setores tradicionais da economia.
“O Rio Grande do Norte faz 50 anos que é desindustrializado. O Rio Grande do Norte perdeu. Hoje a gente perdeu o poder de barganha porque já foram abertas indústrias em outros estados. Para você reabrir uma indústria, refazer uma indústria, demora 20, 30 anos. Então a gente perdeu muito“, afirmou.
Como exemplo da perda de espaço, o presidente do Sindipesca citou a atividade pesqueira. Segundo ele, o Rio Grande do Norte já foi o maior produtor de lagosta do país, mas atualmente produz apenas entre 10% e 15% do volume registrado no Ceará.
“O Rio Grande do Norte já foi o maior produtor de lagosta. Hoje a gente produz de 10% a 15% do que o Ceará produz. É muito triste isso“, disse.
Arimar também comparou a situação econômica potiguar à de estados vizinhos. Ele lembrou que a Paraíba, antes vista como economicamente menos desenvolvida, hoje arrecada mais que o Rio Grande do Norte.
“Quando você falava em Paraíba, diziam que era o albergue de Pernambuco. Hoje a Paraíba arrecada mais do que o Rio Grande do Norte. E com custo de folha muito menor“, afirmou.
Apesar das críticas, o dirigente evitou atribuir responsabilidade a governos específicos e defendeu que o debate sobre desenvolvimento econômico ultrapasse disputas políticas.
“Eu não vou culpar o governo A, B ou C. Nesse ano político é muito importante que todos vejam que a gente tem que pensar no Rio Grande do Norte por nossos filhos, por nossos netos, nos próximos 50 anos. Porque a gente já perdeu os 50 anos passados“, declarou.
Potencial da pesca
Ao comentar o setor pesqueiro, Arimar afirmou que o estado possui condições naturais para ampliar sua participação na economia nacional, mas precisa investir em infraestrutura e renovação da frota.
Ele citou como exemplo o terminal pesqueiro construído há cerca de duas décadas que, segundo ele, permanece sem utilização adequada.
“Não adianta só ter o estacionamento, tem que ter o carro, tem que ter um barco, tem que fazer uma política de renovação de frota. Nossas embarcações são tudo da década de 80, da década de 90“, disse.
Para o presidente do Sindipesca, a recuperação da atividade depende da atuação conjunta da iniciativa privada, dos órgãos reguladores, dos governos e das instituições financeiras.
“A gente tem que fazer um trabalho em conjunto com todo mundo, a iniciativa privada, os órgãos regulamentares, o governo, os bancos, para poder reescrever a história da pesca, tanto do Rio Grande do Norte como do Brasil“, concluiu