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Informe do Correio

Wober faz críticas duras a Álvaro Dias

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta quarta-feira 08
Por O Correio de Hoje
08/07/2026 | 17:28

O líder estadual do partido Cidadania, Wober Júnior, fez uma série de críticas ao ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) ao comentar a possibilidade de a federação PSDB/Cidadania apoiar a pré-candidatura dele ao Governo do Rio Grande do Norte. Foi durante entrevista ao jornalista Diógenes Dantas, colunista do Agora RN, no programa Contraponto, da 96 FM. As críticas repercutiram bastante, e o tema foi manchete de Primeira Página de O Correio de Hoje desta terça-feira 7.

Ex-deputado estadual, Wober classificou uma eventual aliança com Álvaro como “um erro fatal” e “um escárnio para o Rio Grande do Norte”. Segundo ele, a federação não deveria caminhar para um palanque que, na sua avaliação, contraria a história política do PSDB e do Cidadania. Apesar da fala de Wober, a decisão final sobre a aliança cabe ao PSDB, partido que detém 10 dos 13 postos da estrutura administrativa da federação no RN.

Informe do Correio

Wober chegou a insinuar desonestidade, além de usar outras expressões duras para definir o ex-prefeito. “Álvaro Dias é o fim do mundo. É um candidato despreparado, um candidato que não tem compromisso com o Rio Grande do Norte, não tem compromisso com a honestidade da administração pública. Ele nunca se preocupou com isso. Ele enganou durante muito tempo. É um erro fatal. Isso é um escárnio para o Rio Grande do Norte”, afirmou.

O dirigente também associou Álvaro à extrema direita e disse que o ex-prefeito não representa o programa político da federação. Para Wober, uma eventual decisão do PSDB de apoiar Álvaro seria incompatível com a trajetória dos dois partidos.

As críticas também alcançaram a passagem de Álvaro pela Prefeitura do Natal. Wober disse que o ex-prefeito recebeu o cargo “quase que de presente” de Carlos Eduardo Alves, quando o então prefeito deixou a gestão municipal para disputar o Governo do Estado, em 2018.

Ele comparou Álvaro a Odorico Paraguaçu, personagem de Dias Gomes em O Bem-Amado, e afirmou que o ex-prefeito passou a ser conhecido como “o prefeito que não entrega as obras”.

Wober ainda acusou Álvaro de tratar mal as pessoas e de não ter propósito para governar o Estado. “É lamentável. Engana, trata mal as pessoas, dá chá de cadeira. É um cara sem nenhum propósito para governar o Rio Grande do Norte, e o Rio Grande do Norte vai conhecer isso”, disse.

RN entra no debate dos penduricalhos

O Rio Grande do Norte não ficou fora da discussão nacional sobre o uso de verbas públicas para pagamentos acima do teto no Judiciário. Como revelaram o Agora RN e O Correio de Hoje, o Tribunal de Justiça do RN teve, em maio de 2026, 85 juízes e oito desembargadores com remunerações líquidas superiores a R$ 46.366,19, valor do teto remuneratório do Judiciário. Seis magistrados passaram de R$ 100 mil no mês.

O maior pagamento foi ao juiz Pedro Rodrigues Caldas Neto, da 13ª Vara Criminal de Natal, com R$ 110.780,25. Também aparecem na lista a desembargadora Sandra Elali, com R$ 105.598,94; a juíza Alba Paulo de Azevedo, com R$ 104.410,17; o desembargador Cornélio Alves, com R$ 103.513,55; Isaac Costa Soares de Lima, com R$ 100.807,99; e Homero Lechner de Albuquerque, com R$ 100.578,58.

O caso potiguar integra um quadro nacional. Reportagem da Folha de S.Paulo apontou que 616 juízes e desembargadores receberam, em maio, acima do teto constitucional, com pagamentos que chegaram a R$ 495 mil. O Supremo Tribunal Federal havia fixado parâmetros para conter penduricalhos, reafirmando o teto de R$ 46.366,19 e estabelecendo limites para verbas indenizatórias.

O TJRN afirma que os valores se referem a férias indenizadas e que essas verbas estariam amparadas pelas regras vigentes. Mas entidades como a Transparência Brasil veem risco de violação aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa quando normas ampliam espaço para pagamentos acima do teto.

A discussão, portanto, não é apenas contábil. É moral e institucional. Em um Estado com serviços públicos pressionados, filas na saúde e crise fiscal recorrente, os números mostram que o RN também precisa explicar até onde vai o direito remuneratório e onde começa o abuso de recursos públicos.

Fila de cirurgias no RN chega a 47,7 mil pacientes

É estarrecedor o tamanho da fila por cirurgias eletivas no Rio Grande do Norte. Levantamento citado por O Correio de Hoje mostra que 47,7 mil pacientes aguardam procedimentos na rede pública estadual. A situação tem levado cada vez mais pessoas à Justiça para tentar obter atendimento, especialmente em casos ortopédicos, nos quais a demora pode provocar agravamento do quadro, perda de mobilidade, dor crônica e até incapacidade permanente.

A espera ultrapassa, em muitos casos, o prazo considerado razoável por especialistas e órgãos de controle. Há pacientes que aguardam há meses — ou mais de um ano — por procedimentos necessários para recuperar qualidade de vida. A judicialização, nesse cenário, aparece como consequência direta da incapacidade do sistema de dar resposta em tempo adequado.