O Rio Grande do Norte tem razões para comemorar os resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Em 2025, o Estado alcançou as melhores notas de sua série histórica em todas as etapas avaliadas, avançou no ensino fundamental, melhorou no ensino médio e deixou a última colocação entre as redes estaduais. Mas ele também precisa ser lido com cuidado, porque revela avanços ao mesmo tempo em que expõe limitações que ainda comprometem a qualidade da educação potiguar.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb do RN passou de 5,3 para 5,7. Nos anos finais, avançou de 4,1 para 4,6. No ensino médio, subiu de 3,7 para 4,2. Os três resultados representam recordes para o Estado e mostram que houve melhora generalizada.

Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Norte continua abaixo da média brasileira em todos os níveis. O País registrou 6,3 nos anos iniciais, 5,3 nos anos finais e 4,5 no ensino médio. A distância diminuiu, mas existe. E ela é particularmente preocupante nos anos finais do ensino fundamental, etapa em que muitos estudantes acumulam defasagens levadas para o ensino médio.
O maior destaque positivo aparece no ensino médio estadual. Considerando o ensino regular e a educação profissional integrada, a nota passou de 3,2 para 4,0. Foi uma das maiores altas do Brasil. Com isso, o RN saiu da lanterna nacional e passou a superar sete unidades da Federação, além de empatar com outras duas.
Esse movimento tem valor prático. Durante anos, o ensino médio potiguar esteve associado aos piores indicadores do País. Romper essa sequência ajuda a reconstruir a confiança da sociedade na rede pública e demonstra que políticas de permanência, acompanhamento escolar, expansão do tempo integral e fortalecimento da educação profissional podem produzir efeitos.
No entanto, o Ideb não mede apenas o que os estudantes aprenderam. O índice combina o desempenho nas provas do Saeb com as taxas de aprovação. Isso significa que ele melhora tanto quando os alunos avançam em português e matemática quanto quando há redução da repetência e maior fluxo entre as séries.
No ensino médio estadual do RN, a aprovação cresceu de maneira muito mais intensa do que as notas de aprendizagem. A taxa passou de aproximadamente 77% para 93%. Já o avanço nas avaliações foi bem mais discreto. Em matemática, o crescimento foi pequeno. Em língua portuguesa, também houve melhora, mas em proporção inferior ao salto observado no Ideb.
Esse dado não invalida o resultado. Reduzir a reprovação é uma meta legítima. A repetência excessiva desestimula estudantes, amplia a distorção entre idade e série e contribui para o abandono escolar. Uma rede que retém menos alunos pode ser mais eficiente e inclusiva.
O problema surge quando a aprovação deixa de ser acompanhada pela aprendizagem. A progressão escolar precisa representar avanço de conhecimento, e não apenas mudança administrativa de série. Caso contrário, o estudante chega ao fim da educação básica com o diploma, mas sem domínio adequado de leitura, escrita, interpretação e matemática.
O Governo do Estado sustenta que a política de progressão parcial teve impacto reduzido no resultado e que a melhora decorre de ações adotadas nos últimos anos. A explicação merece ser considerada. Também é necessário reconhecer a ampliação das escolas em tempo integral, da educação profissional e das iniciativas de recomposição da aprendizagem após a pandemia.
Ainda assim, os dados recomendam prudência. O avanço deve ser comemorado sem triunfalismo. O Rio Grande do Norte melhorou, mas ainda está longe de alcançar um padrão satisfatório. Os anos finais do ensino fundamental permanecem como um gargalo, e o ensino médio ainda apresenta baixo desempenho quando se observa apenas a aprendizagem.
O Ideb de 2025 deve ser tratado como um ponto de partida, não como uma linha de chegada. A prioridade agora precisa ser transformar a maior aprovação em conhecimento efetivo. Isso exige formação continuada de professores, reforço escolar, acompanhamento individual dos alunos, uso inteligente das avaliações e foco nas competências básicas.
O RN deixou a última colocação. É uma conquista relevante. O próximo passo, porém, é mais difícil: garantir que os estudantes não apenas avancem de ano, mas aprendam mais. Esse será o verdadeiro teste da educação potiguar.