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Opinião

Suspeitas perto de Lula exigem resposta

Inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo pessoas próximas ao presidente Lula
Por O Correio de Hoje
06/08/2026 | 15:20

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, também está sob investigação. As apurações alcançam suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo pessoas muito próximas ao Palácio do Planalto e, por isso, precisam avançar sem interferência política.

Os inquéritos sobre Lulinha buscam esclarecer se ele favoreceu empresários interessados em negócios com órgãos públicos e se atuou em benefício próprio. Já Marco Aurélio é investigado por ter recebido dinheiro de Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente e parceira de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como chefe do esquema bilionário de fraudes contra aposentados. Ambos negam irregularidades e atribuem motivação política às acusações. Isso não diminui a gravidade do que está sendo apurado.

Investigações sobre Lulinha e Marcola envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção e precisam avançar sem interferência política.
Lula afirma que não protegerá o filho e apresenta a autonomia da PF como prova disso Foto: Ricardo Stuckert

Marco Aurélio deixou o governo para integrar a coordenação da campanha de reeleição de Lula, mas saiu dela após as denúncias. O episódio amplia o desgaste no entorno presidencial, já pressionado pelas investigações envolvendo Lulinha. Dois dos inquéritos contra o filho do presidente foram autorizados pelo ministro André Mendonça, enquanto o terceiro recebeu aval do ministro Flávio Dino.

Segundo revelou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, Marco Aurélio admitiu ter recebido recursos de Roberta. Ele sustenta que se tratou de um empréstimo pessoal e afirma ter devolvido R$ 249 mil por transferência bancária. As movimentações financeiras de Roberta estão sob análise em diferentes investigações da Polícia Federal relacionadas às fraudes no INSS. Cabe agora às autoridades verificar a origem, a finalidade e as circunstâncias dessas transações.

No caso de Lulinha, os investigadores procuram saber se a proximidade com o poder foi usada para facilitar o acesso de empresários e lobistas ao Ministério da Saúde, à Dataprev e a outros órgãos públicos. Entre eles está Antunes, preso no caso das fraudes do INSS e apontado como interessado em contratos para fornecimento de Cannabis medicinal ao SUS. De acordo com a PF, ele pagou uma viagem de Lulinha a Portugal para visitar uma fábrica de medicamentos.

Roberta reconheceu que apresentou Lulinha a Antunes. Também esteve diversas vezes no Palácio do Planalto, inclusive em encontros que não apareceram em agendas oficiais. São fatos que exigem respostas claras. A tentativa de Lula de se distanciar dos episódios reforça a necessidade de explicações rápidas e convincentes sobre pessoas tão próximas a ele.

Lula afirma que não protegerá o filho e apresenta a autonomia da PF como prova disso. A declaração é correta, mas insuficiente para encerrar o assunto. É previsível que aliados apontem objetivos políticos nas apurações. Petistas, porém, recorrem ao mesmo argumento quando escândalos atingem adversários.

Investigações policiais e decisões judiciais não podem ser moldadas pelo calendário eleitoral. Se houver crime comprovado, os responsáveis devem responder conforme a lei, sem privilégios por sobrenome, cargo ou vínculo político.