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Informe do Correio

O que propõem os que querem governar o RN?

Confira os destaques da coluna Informe do Correio, publicada em O CORREIO DE HOJE nesta segunda-feira 15
Por O Correio de Hoje
15/06/2026 | 16:34

Chegamos a meados de junho, e a pré-campanha ao Governo do Rio Grande do Norte continua avançando como deve ser. Eventos políticos, vídeos em redes sociais, anúncios de apoios, as mais diversas agendas, na capital e no interior, divulgação de pesquisas eleitorais, declarações de adesão de prefeitos, vereadores, lideranças e partidos políticos… A lista de ações é extensa, é o movimento natural do jogo político.

Nesse momento, os principais pré-candidatos ao governo estão naturalmente mais interessados em demonstrar força. A questão, contudo, que mais cedo ou mais tarde se imporá, é a seguinte: Afinal de contas, quando aqueles que querem governar o RN começarão a dizer ao eleitor o que pensam sobre os problemas estruturais do Estado que pretendem governar?

Informe do Correio

Os pré-candidatos ao Governo do RN, especialmente os três mais competitivos, vão continuar escondendo do Estado o que pensam sobre a crise fiscal, a máquina pública, a falta de investimentos, a baixa capacidade de pagamento e o futuro econômico do Rio Grande do Norte?

É possível que ainda não tenham encontrado espaço para apresentar suas ideias. É possível que estejam guardando propostas para a campanha oficial. Também é possível que conheçam os problemas, mas prefiram não falar deles agora para não produzir desgaste. Há ainda uma hipótese mais incômoda: talvez alguns não tenham, com clareza, a real dimensão do que encontrarão pela frente.

O próximo governador não receberá apenas uma caneta, uma faixa e um gabinete. Receberá um Estado engessado. Um Estado que arrecada mais do que antes, mas que continua com pouca margem para investir. Um Estado pressionado por folha de pessoal, previdência, precatórios, consignados, custeio, restos a pagar e limitações legais. Um Estado que muitas vezes parece existir para pagar folha e manter a máquina funcionando, sem energia fiscal suficiente para dar saltos de desenvolvimento.

A Lei Orçamentária de 2026 já revela o tamanho do desafio. O orçamento prevê receitas de R$ 25,67 bilhões e despesas de R$ 27,21 bilhões, com déficit estimado em aproximadamente R$ 1,54 bilhão. A despesa com pessoal permanece acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. O Estado carrega problemas de liquidez, tem baixa capacidade de pagamento e enfrenta cobrança milionária relacionada a consignados descontados dos servidores e não repassados integralmente às instituições financeiras.

Esse é o ponto que deveria obrigar a pré-campanha a subir de nível. O debate não pode ficar restrito a quem tem mais prefeito, quem aparece melhor nas pesquisas, quem faz o evento mais cheio ou quem percorre mais municípios. O eleitor precisa saber o que cada pré-candidato pretende fazer com um Estado que tem dificuldade de transformar arrecadação em investimento e potencial em prosperidade.

O que eles entendem por desenvolvimento? Qual é a visão de futuro para o RN? O Estado deve continuar dependente de repasses, folha e custeio, ou pretende disputar novos ciclos econômicos? O que veem quando olham para o potencial potiguar em energia renovável, turismo, indústria, economia do mar, mineração, fruticultura, pesca, tecnologia, sal, logística e serviços? O que trava o RN? Falta gestão, projeto, infraestrutura, segurança jurídica, ambiente de negócios, qualificação profissional, articulação política ou tudo isso junto?

O mundo que avança está fazendo reformas silenciosas e profundas. Estados e regiões bem administrados planejam infraestrutura, melhoram educação, digitalizam serviços, reduzem burocracia, organizam contas, atraem investimentos, dão segurança a quem empreende, tratam gasto público como escolha estratégica e medem resultado. Não há prosperidade duradoura com improviso permanente.

No caso do RN, os desafios são conhecidos. É preciso controlar a despesa com pessoal sem demonizar o servidor. Resolver passivos como os consignados. Melhorar a capacidade de pagamento. Reorganizar a previdência estadual. Enfrentar a fila de precatórios. Revisar incentivos fiscais com critério. Combater desperdícios. Modernizar a máquina pública. Aumentar a arrecadação pela formalização e pela eficiência, não apenas pelo aumento de impostos. Atrair investimentos. Criar bons projetos executivos. Fazer concessões e parcerias quando forem vantajosas. Melhorar saúde, segurança e educação com gestão, metas e produtividade.

Serviço público melhor não nasce de promessa genérica. Nasce de Estado organizado. Para ter hospital funcionando, escola de qualidade, polícia equipada, estradas mantidas e atendimento digno ao cidadão, é preciso saber de onde virá o dinheiro, como ele será gasto e quais despesas deixarão de crescer.

Por isso, quem quer governar o Rio Grande do Norte precisa responder mais do que slogans. Precisa dizer como pretende fazer o Estado voltar a caber dentro da própria receita. Precisa explicar se terá coragem de rever estruturas, enfrentar privilégios, negociar passivos, proteger investimentos e romper com a lógica de apenas administrar escassez.

A pré-campanha ainda pode amadurecer. Mas, até aqui, a pergunta segue sem resposta satisfatória: os que querem governar o RN têm um plano para mudar o Estado ou apenas disputam o direito de administrar os mesmos problemas?