O desaparecimento e a morte de gatos que vivem nas proximidades de um condomínio no bairro Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante, motivaram uma denúncia de supostos maus-tratos e envenenamento de animais. Segundo a protetora voluntária Maria da Neide, 15 gatos teriam sido encontrados mortos entre os dias 29 de julho e 3 de agosto. Ela afirma que pretende levar o caso à Justiça e cobra medidas para impedir novos episódios.
De acordo com a protetora, parte dos animais vive no local há anos e recebe alimentação fornecida voluntariamente por moradores da região. Ela relata ainda que alguns gatos teriam sido abandonados por antigos moradores do condomínio após mudanças de residência.

“Existem pessoas que têm animais, vão embora e deixam abandonados. A gente, que gosta de animais, vai e alimenta. Então, eles vêm e botam veneno. Isso não é justo”, afirmou.
Maria da Neide, que diz atuar há cerca de 30 anos na proteção de animais da região, afirma que os casos de maus-tratos não seriam recentes. Segundo ela, há relatos de mortes de cães e gatos, além de suspeitas de envenenamento dentro do condomínio.
“Há 30 anos que eu moro aqui, que eu luto por esses animais. Ninguém chega para ajudar, só para maltratar. É pancada, é morte de cachorro, é morte de gato. Tudo dentro do condomínio. Envenenamento”, relatou.
A protetora afirma que funcionários e moradores também teriam encontrado indícios de envenenamento. Segundo o relato apresentado por ela, gatos teriam sido encontrados mortos em garagens e recipientes de lixo, enquanto veneno teria sido identificado junto à alimentação deixada para os animais.
O período entre o fim de julho e o início de agosto concentrou os casos que motivaram a denúncia. Inicialmente, havia a informação de que os 15 animais teriam desaparecido no intervalo de uma semana. Maria da Neide, porém, especificou que os episódios ocorreram em menos tempo.
“15 gatos (mortos) de 29 de julho a 3 de agosto, eles apareceram envenenados dentro dos baldes do lixo”, disse.
Diante da situação, uma notificação extrajudicial foi elaborada para cobrar providências. A protetora afirmou que pretende recorrer ao Judiciário caso não haja uma solução.
“Vou levar para o judicial, porque não pode ficar assim. Eles não têm voz própria, eles não sabem se defender. Então, tem alguém que grita”, declarou.
Além da apuração das mortes, Maria da Neide defende a realização de castrações como forma de controlar a reprodução dos gatos que vivem na área. Para ela, a medida poderia reduzir gradualmente a quantidade de animais abandonados sem recorrer à retirada ou ao extermínio.
A voluntária também fez um apelo para que moradores e poder público contribuam com a castração, principalmente das fêmeas. “Cada vez que uma dá cria, é sofrimento na rua. A castração é a solução”, disse.