Um dos produtores de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condicionou a entrega de documentos da empresa à Polícia Federal (PF) a uma ordem da Justiça dos Estados Unidos. Michael Davis, sócio majoritário da Go Up Entertainment LLC, afirmou que os papéis estão sob jurisdição americana e que o pedido brasileiro deverá seguir os mecanismos de cooperação jurídica entre os dois países.
Segundo o g1, a posição foi enviada por e-mail à produtora Karina Ferreira da Gama em 2 de setembro. Ela havia recebido um ofício da PF solicitando informações para a investigação e encaminhou o documento a Davis em busca de apoio para a resposta.

O produtor declarou que não autorizava o compartilhamento de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais mantidos nos Estados Unidos sem a observância do processo legal americano. Para ele, uma eventual entrega deverá ocorrer “somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano”.
Davis também pediu que nenhum documento da companhia fosse enviado antes da validação dos requisitos pelos advogados da empresa. À GloboNews, Karina afirmou que o produtor solicitou o uso do caminho diplomático de cooperação e disse que a equipe pretende colaborar com as autoridades brasileiras.
O que a PF busca
A troca de mensagens foi incorporada ao inquérito que apura o financiamento do filme e se tornou pública depois da retirada do sigilo de procedimentos ligados ao caso Banco Master. Os investigadores querem identificar a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e os beneficiários finais das operações.
A PF também procura contratos, comprovantes de pagamento, operações de câmbio, notas fiscais e documentos societários ligados à produção. Parte das apurações examina repasses atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece entre os investigados nessa frente, que está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro inquérito, relatado pelo ministro Flávio Dino, investiga se emendas parlamentares destinadas a entidades e projetos culturais foram desviadas para a produção. Na quinta-feira 10, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra investigados, entre eles o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e Karina, responsável pela produtora brasileira envolvida no projeto.
As investigações ainda estão em andamento. A inclusão de nomes nos procedimentos e o cumprimento de medidas de busca não representam condenação. As defesas poderão se manifestar e apresentar documentos durante a apuração.