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Caso Master

Mendonça diz a Fachin que mantém dados do celular de Vorcaro lacrados

Ministro afirma que HD com a cópia dos dados permanece intacto e responde após presidente do STF determinar a retirada do sigilo de todos os documentos do caso Master
Agora RN
12/09/2026 | 00:21

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou nesta sexta-feira 11 ao presidente da Corte, Edson Fachin, que mantém em seu gabinete uma cópia de segurança dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo o magistrado, o conteúdo foi entregue pela Polícia Federal em um HD encriptado, colocado dentro de um envelope lacrado, que permanece “intocado até o presente momento”.

A manifestação ocorreu depois que o ministro Cristiano Zanin pediu acesso à íntegra do material extraído do aparelho. Zanin quer analisar os dados antes da sessão marcada para a próxima terça-feira 15, quando o plenário do Supremo deverá examinar um relatório da Polícia Federal que identificou o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor de Vorcaro em mensagens.

Ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF
André Mendonça diz manter lacrados os dados do celular de Daniel Vorcaro — Alejandro Zambrana/STF

Mendonça esclareceu que o aparelho celular não está sob a responsabilidade de seu gabinete. De acordo com o ministro, após assumir a relatoria do caso, em fevereiro, ele determinou que o telefone permanecesse nos depósitos da Polícia Federal, seguindo o fluxo habitual de custódia de materiais apreendidos pela corporação.

No mês seguinte, ainda segundo Mendonça, a PF entregou ao gabinete, “de forma voluntária e espontânea”, um envelope lacrado contendo a cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho. O material está armazenado em um HD criptografado e ainda não teria sido aberto.

A resposta foi encaminhada horas depois de Fachin dar prazo de 24 horas para Mendonça retirar o sigilo de todos os documentos que integram, no STF, as investigações relacionadas ao Banco Master. O presidente da Corte atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a solicitações apresentadas por Moraes e Zanin.

Ministro Edson Fachin, presidente do STF
Edson Fachin determinou a retirada do sigilo de documentos do caso Master — Gustavo Moreno/STF

Fachin também determinou que o material fosse encaminhado ao seu gabinete e aos demais ministros do Supremo. A única ressalva alcança documentos relacionados a diligências ainda em andamento ou que serão realizadas, para impedir que a publicidade prejudique as investigações.

Na quinta-feira 10, Mendonça já havia levantado o sigilo de parte dos processos ligados ao caso Master. A medida alcançou a Petição nº 15.556, que deu origem à investigação na Corte, e outros 14 procedimentos derivados. Para a PGR, contudo, uma parcela significativa dos documentos relacionados à Operação Compliance Zero continuou sem acesso público.

A operação investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. No pedido dirigido a Fachin, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, afirmou que a divulgação parcial poderia comprometer o objetivo de conferir transparência ao caso.

“Fato que, embora se suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta por V. Exa, perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”, escreveu Chateaubriand.

A manifestação não foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, cujo nome aparece em mensagens trocadas com Vorcaro. No documento, a PGR pediu tratamento uniforme para os procedimentos ligados à investigação.

“Nessas condições, e para que não se dê tratamento diferenciado a situações de igual repercussão, o Ministério Público Federal requer seja determinado o levantamento do sigilo, sem exceção, de todas as peças e procedimentos vinculados à PET [petição] 15.556, com as ressalvas já mencionadas”, registrou o vice-procurador-geral.